segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A Casa 7: “o complemento ideal”




Astrologia esotérica versus exotérica

Neste artigo vamos continuar com a análise comparativa das casas do horóscopo, uma analogia entre os significados mais exotéricos frente aos mais esotéricos, embora seja verdade que estes significados estejam muito mesclados. Causa e efeito muitas vezes se confundem, mas há que saber que todo reflexo externo ou objetivo tem sua razão de ser na consciência interna mais subjetiva e, neste sentido, todo aquele material que uma casa traz consigo está relacionado com as causas mais espirituais que se ocultam por trás de seus efeitos.

É importante entender que a perspectiva esotérica não rejeita a exotérica, mas, sim, que a enriquece. Cada vez há mais consciências para a quais a perspectiva astrológica tradicional não é válida, invocando com isso uma visão mais certeira, mais próxima da sua necessidade, sua Alma, a irmã maior da Personalidade ou aspecto exotérico.

Este artigo será dedicado inteiramente à casa 7, posto que consideramos que esta casa, devido ao poder complementar que exerce sobre a sempre importantíssima casa 1 e seu signo ascendente, necessita de uma menção mais extensa e especial.





A Casa 7: “o complemento ideal”

Astrologicamente, esta casa é muito importante por ser angular e aspectar ou estar em relação direta por oposição com a casa um, a primeira, a casa do eu.

O eu na casa 1 se relaciona ou “olha de frente” para o outro situado na casa 7, a casa mais afastada do eu, aquele lugar desconhecido, e por isso tão desejado.

Para a astrologia exotérica, a casa 7 é a casa das relações importantes e, portanto, é a casa dos desejos compartilhados, como o são o sentimento, a paixão, os negócios, o sexo, o esposo, a esposa ou a grande aliança pessoal e social refletida no matrimônio. 

Observemos que as duas casas que nos falam mais claramente do desejo em um horóscopo são regidas por Vênus. A casa 2, onde se expressa o desejo sentimento mais próprio-possesivo do sujeito, e a casa 7, onde se expressa o desejo menos pessoal e, portanto, mais desconhecido, mais projetado no outro e seu entorno. Neste sentido, a casa 7 é a casa do máximo desejo, “ali onde repousa o olhar”, o lugar (ou a pessoa) que gera o maior sentimento, a pessoa mais desconhecida e surpreendente para o eu, a pessoa com qual compartilhar o sentimento mais próximo e pessoal da casa 2.

Esotericamente falando, o grande poder de manifestar da casa 1 ou o “eu” encontra seu equilíbrio, sua compensação ideal, na casa 7 ou o “tu”, e  não vamos esquecer que “Deus vive em ti como Tu”. 

O “Tu”, espiritualmente falando, é aquela “misteriosa” voz interna com a qual o “eu” se confidencia e compartilha, aquela voz conselheira e guia, o chamado “anjo da guarda”, a divina inteligência do Anjo Solar que nos traz à consciência o equilíbrio que o nosso “Eu” necessita ou invoca com seu desejo mais sincero. Portanto, nesta casa está a relação mais apreciada pela consciência, o inteligente e valioso complemento que nos aproxima do Ideal ou Propósito da Alma.

Nas escolas esotéricas muito se fala da função do Anjo Solar, mas na realidade sua tarefa é clara e simples, Ele é a inteligência ou luz mental que nos traz à consciência a plenitude da Alma, esta é Sua sagrada participação, e quando em determinada vida já se está plenamente consciente do “divino morador interno”, o Anjo terá cumprido sua missão e é liberado.

A inteligência criadora autoconsciente está na casa 5, onde está o corpo causal, uma mescla consciente do nível evolutivo herdado com suas singularidades, tendências e talentos próprios. Mas o divino desejo inteligente (até certo ponto inconsciente para as casas 1 e 5), portador de relação, experiência, aprendizagem e maior conhecimento, está na casa 7 e o significado de seu signo regente.

Tradicionalmente, esta casa rege a parte mais baixa do plexo solar, ali onde o desejo se confunde com o instinto. Rege os rins, as glândulas adrenais, bexiga, órgãos reprodutores, em certa medida também as veias, todas as partes vinculadas à fluidez dos líquidos corporais. A fluidez líquida, não estancada, esotericamente falando é o símbolo do poder motivador da emoção ou do ativo desejo inteligente; tanto seja inteligência espiritual como mais material, a fluidez é a substância inteligente que nos vincula (nos move) com nosso entorno, tanto interno como externo.

Na verdade, nesta casa bem flui a emoção vinculadora, o inteligente desejo através do qual a luz do “si-mesmo”, que emerge do signo da casa 1, se descobre e se afirma em relação a seu entorno.

É, pois, graças à natural inteligência da casa sete e seu signo regente que o propósito da Alma escrito no signo ascendente se manifesta em toda sua beleza.

Vênus em uma consciência evoluída é a mente condicionada pela Alma, e em uma consciência mundana é a mente condicionada pelo desejo material, e como costumamos dizer, entre os dois extremos há milhares de matizes cármico-evolutivos.

Independentemente do nível de consciência que condicione a mente venusiana, Vênus como arquétipo é a expressão inteligente da mente concreta, e esta expressão está muito ativa na casa 7.  Ele, desde sua singular inteligência, concretiza ou harmoniza o propósito emergente da casa 1 com o aspecto mais afastado e inconsciente, e por isso divino e idealizado, refletido em casa 7.  A inteligência venusiana no entorno da casa 7 concretiza o vínculo entre o eu e o tu.

Portanto, a casa 7 é a casa onde, através de Vênus, se experimenta e concretiza a união com “aquilo desejado”, e a união é beleza, equilíbrio, a luz da inteligência. E é por isso que na linha horizontal, a casa 1 versus a casa 7 se relacionam e unem a projeção e a reação, a proposta e sua aceitação, o desejo e sua experiência, o ideal motivador e sua realidade concreta, a ideia e sua resposta inteligente, o propósito e sua luminosa concreção, o espírito e sua beleza, o conhecido e o desconhecido, a ação e a recepção…, a casa 7 é a inteligente compensação da direta, muitas vezes impetuosa, mas sempre genuína energia proveniente da casa 1.

Podemos dizer, pois, que a casa 7, através da inteligência de Vênus, é o campo de experiência, tanto material como espiritual, através do qual se desenvolve e concretiza a emergente luz da Alma proveniente da casa 1.




 

Dualidades irmãs, relações criadoras

Desde os significados mais esotéricos dos signos, (não tanto das casas), surge o vínculo que demonstra que, em nosso Universo Dual, os 12 na verdade são 6.

E é assim como o ímpeto criador e incisivo de Áries se ordena e manifesta em e através da mente equilibrada da “balança”; tanto como é assim que o inteligente ponto do meio de Libra se enriquece com a poderosa manifestação da inspirada iniciativa mental do “carneiro”. 

E é assim como a poderosa aspiração de Touro se fundamenta na verdade adquirida no campo de experiência transformador do “escorpião”; tanto como é assim que o intenso e apegado Escorpião se libera graças ao nobre ímpeto do desejo sublimado do “touro”.

E é assim como o espontâneo e disperso poder comunicador de Gêmeos se canaliza graças à intuição do “arqueiro”; tanto como é assim que o objetivo fortemente idealizado de Sagitário se flexibiliza e expande com a compreensão dual dos “irmãos gêmeos”.

E é assim como a pureza sensível de Câncer se estrutura através do  caminhar espiritual da “cabra”; tanto como é assim que a vontade de materializar de Capricórnio se comparte e dignifica através da  precaução instintiva e intuitiva do “caranguejo”.

E é assim como o poder diretor autoconsciente do leão se torna humano e compreensivo através do sentido universal de Aquário; tanto como é assim que a impessoalidade do “aguador” encontra sua raiz social e servicial na consciente e brilhante expressão do si-mesmo de Leão.

E é assim como a necessidade de ser e servir desde o amor de Virgem, encontra seu complemento ideal na intuitiva sensibilidade de Peixes; tanto como é assim que a fluidez psíquica do “peixe” se canaliza através da inteligência protetora  e construtora da “virgem mãe”.

Por trás destes “jogos” duais, com seus significados e opostos, bem podemos realizar um exercício de reflexão interna que pondere sobre os significados da nossa casa/signo 7 com os da casa/signo 1, sabendo que o Propósito da Alma está no signo ascendente e Seu Divino Complemento no signo oposto.





Texto finalizado na Lua cheia de Aquário de 2018


“Eu sou água da vida vertida para os homens sedentos”

Nunca nos perguntamos “Como é possível que um signo de Ar seja portador de Água?”, esotericamente falando na sutil liberdade do Ar se situa a intuição ou clara compreensão e, no aspecto purificador da Água, o contato ou emoção amorosa, e é aí onde está o tão característico sentido do serviço do “aguador”, pois ele intui a necessidade e a serve em sua justa medida (jarro) desde o amor. 

Aquário é o Amor que permite intuir a necessidade vital (2º Raio) que através da Luz da Inteligência ou justa medida (5º Raio) se materializa ou se ordena como Serviço (7º Raio).

David C.M.  (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)

domingo, 19 de novembro de 2017

Astrologia Esoterica (Catalunha - Espanha)





Um estudo astrológico dos acontecimentos de Catalunha

Olá, deste blog, atualmente quase totalmente gerenciado de Barcelona, consideramos que é um dever publicar um artigo que relacione a astrologia com os importantíssimos fatos sociais e políticos que há algum tempo estão ocorrendo em nossa estimada e preciosa cidade, assim como também na Catalunha e na Espanha.

Na era de Aquário é preciso prestar atenção ao aspecto social, pois é e será através de seu correto manejo que pouco a pouco se irá manifestando a Fraternidade como reflexo externo do Reino de Deus na Terra

É dever da Alma, pois, estarmos atentos, reflexivos e ativos aos acontecimentos sociais de grande envergadura que afetam as pessoas, ideias e leis sociais condicionantes. Como sabemos, a atenção pelo maior sempre inclui a correta consideração pelo menor ou mais próprio.

A astrologia tem muito que dizer sobre os tempos, energias e significados implicados nos eventos importantes, por isso neste artigo realizaremos, através do estudo de determinadas cartas, uma reflexão astrológica (esotérica e exotérica) sobre os eventos que estão sacudindo atualmente a Espanha e, sobretudo, a Catalunha. Eventos que, devido ao valor universal dos princípios que estão jogo, também afetam a Europa e o Mundo.

Por outro lado, também dizer que a melhor forma de aprender astrologia é abordando as cartas dos grandes nascimentos e/ou acontecimentos.



 
O 6° Raio – Sagitário da Espanha

Espanha, sobretudo desde o matrimônio dos Reis Católicos com seu triunfo cristão sobre os mulçumanos e suas posteriores conquistas imperialistas, é um país que muito bem pode ser considerado como uma poderosa unidade ou nação; embora, de uma óptica mais moderna, também é muito certo que Espanha pode ser considerada como um rico conglomerado de nações e línguas: Castelão, Basco, Galego e Catalão.

Esta singularidade interna é o grande valor cultural da Espanha, mas por essa mesma razão e por não haver sabido lhe dar o correto valor, tal diversidade foi a causa de enfrentamentos, sofrimentos e injustiças.

Esotericamente, sabemos, com certeza, por afirmações do Mestre Tibetano, que a Alma da Espanha é regida pelo 6° Raio de Devoção e Ideal através de Sagitário. Um padrão energético que deu ao mundo conquistas notáveis como, por exemplo, os grandes Místicos Espanhóis da Idade Media, com sua maravilhosa poesia, Fé ou Devoção pelo ideal Cristão: “o filho de Deus”, a santidade ou união da Alma com “o Amado”; ou como, por exemplo também, seu grande amor pelo cavalo, o ideal da Nobreza, com seu refinado adestramento como expressão de sentimento, elegância e beleza.

Um animal que, por outro lado, e como não podia ser de outra maneira, também é regido pelo 6° Raio de Devoção - Sagitário, devoção por seu dono, sendo o único animal capaz de obedecer a seu “ideal” (a seu dono)  até a morte (por esgotamento). É simbólico e muito digno de ter em conta que durante as grandes fomes de pós-guerra no sul da Espanha, berço do admirado cavalo espanhol, os cavalos não eram sacrificados para consumo. O animal sagrado como símbolo da Alma.

Pois bem, a Espanha, ao longo da história também utilizou de forma egoísta a energia de Devoção e Ideal do 6° Raio/Sagitário como, por exemplo, através da temível inquisição, crendo de forma nefasta ou fanática o ideal “eu sou a justiça de Deus”; ou mais recentemente também, através de um sentimento nacional excludente que, através das várias ditaduras da era moderna espanhola, utilizaram de forma fanática e inflexível o ideal: “Espanha é uma, grande e livre”.

Isto é, este lema da Espanha através dos anos se traduziu equivocadamente como um sentimento nacionalista centralizado exclusivamente na cultura e/ou língua castelã, deixando de um lado as outras Espanhas, os outros também legítimos ideais nacionalistas de seus irmãos menores, (entre eles a Catalunha), invocando assim neles a sensação de esquecimento e o consequente descontentamento, ressentimento e/ou necessidade de distanciamento ou autodeterminação.







Relato dos eventos atuais
Atualmente em Espanha, o poder de referido nacionalismo castelão (Espanhol) excludente em relação à Catalunha se manifestou claramente nele 2010 quando a direita espanhola, apoiada pela justiça, e contrariamente ao que diz a constituição, recortou claramente o Estatuto ou constituição catalã aprovada uns anos antes legalmente pelo parlamento catalão e confirmada posteriormente pelas cortes espanholas.

Este transcendental fato gerou um vazio na legalidade constitucional que, junto com a grande crise econômica mundial que arrancou em 2011, foram o caldo de cultivo para o muito considerável aumento das reivindicações e propostas independentistas. Em o 2010 no Parlamento Catalão, também chamado Generalitat, os deputados independentistas eram 14 e na atualidade são 72, ostentando (desde o 2015), assim, a maioria absoluta.

Com este triunfo, democraticamente alcançado, os políticos catalães tentaram reiteradamente negociar um referendum de autodeterminação compactuado com o governo central de Madri que, governado pela direita, sempre se negou a aceitar, aludindo a impossibilidade de romper a união da Espanha.

Ante as reiteradas negativas, o independentismo, (segundo alguns temerária e irresponsavelmente por ir contra a Constituição Espanhola), optou pela via unilateral, convocando e realizando, não sem grandes dificuldades pela forte oposição do governo central Espanhol e seu braço armado ou guarda civil, um referendum de autodeterminação com sua posterior declaração de Independência da Catalunha. Isto gerou uma grande mescla de júbilo e surpresa em uma parte muito importante do povo catalão.

Foi um grande triunfo…, que durou bem pouco..., já que esta declaração unilateral de Independência e a posterior criação da nova República propiciou, por insegurança jurídica, uma fuga dos principais poderes econômicos catalães, e o que ainda é pior, uma reação do estado Espanhol (inclusive o Rei) “destrutiva” e autoritária que, sob o nome de império da Lei, interveio nas instituições catalãs, com detenção de políticos, multas milionárias, vigilância das mídias, fechamento de webs, queixas contra professores, prefeitos, periodistas, cidadãos, polícia autônoma…, em definitivo, toda a autoridade de um estado/monarquia que não reconhece em sua diversidade os legítimos anseios de uma de suas partes.

Ponho a palavra “destrutiva” entre aspas porque, para entender a dificuldade do caso catalão, é muito importante ter em conta que em território catalão há um grande número de pessoas que se sentem tanto ou mais espanholas que catalãs, (em torno do 50%), e que estes cidadãos, não tão identificados com a cultura/língua catalã e sim com a castelã e sua constituição, não veem como agressivas ou injustas as duras medidas que o estado espanhol tomou em relação à Catalunha, mas as veem como a lógica reação de um estado que se sente ameaçado.

Para finalizar, o governo espanhol, uma vez tendo suspendido todos os poderes do governo catalão eleito, convocou para 21 de dezembro deste ano umas eleições autônomas com intenção de voltar à ordem estabelecida. Estas eleições finalmente (embora tendo políticos catalães na prisão ou exilados) foram aceitadas por todos como uma oportunidade para contar democraticamente as maiorias reais existentes.




Dimensão Universal do caso Catalão

É claro que o conflito catalão tem uma dimensão universal, pois através dele se estão pondo em tela princípios muito importantes.
De um ponto de vista dos valores mais universais, o fato que alguns políticos eleitos democraticamente e cidadãos não violentos sejam encarcerados pelo ditame de uma lei interpretada segundo o interesse centralizado ou egoísta do país maior ou ideal espanholista, não pode ser passado por alto nem pela Europa nem pelo Mundo. 
Se analisamos atentamente, neste conflito está em jogo o grande princípio de “unidade na diversidade”, como disse o Cristo, “Deus (a unidade) está em todos os corações (a diversidade)”; estamos, pois, tratando do direito universal de ser si mesmo a partir da inofensividade ou do respeito a “o diferente”.
Em sua própria idiossincrasia, que por outro lado é seu grande haver, a grande pluralidade catalã com sua riqueza em razões e pessoas tão contrapostas, em seu ponto de tensão ou conflito dual, pôs à luz contradições que devem ser profundamente refletidas por todos.
Até que ponto uma maioria ou país maior pode impor sua lei sobre uma minoria ou país menor?  Onde está o equilíbrio?
Até que ponto é importante reconhecer o matiz frente à globalidade ou interesse geral
Como manter a essência ou raiz sem deixar de ser universal?
O que entendemos por fraternidade entre os diferentes povos?
O que entendemos por liberdade ou autodeterminação?
Até que ponto a liberdade de opinião e a ação não violenta deve ser castigada pela lei imperante sob o nome da sagrada constituição, ou nação indivisível?

Todos sabemos que os ideais de Fraternidade, Liberdade e Igualdade devem se impor ao poder da lei constituída; todos sabemos que graças a estes ideais e, em muitos casos, com muito sofrimento, ao longo da história foram obtidos grandes avanços para a humanidade e o direito de ser de suas minorias no conjunto do todo maior.


Una lição para ambos
Por outro lado, e para finalizar, cabe dizer que ao mesmo que é um dever da Espanha ser sensível à minoria que se sente catalã, também é da Catalunha ser sensível a uma parte muito importante de sua população que se sente espanhola, temos aqui a grande lição para ambos.






Astrologia prática

Para a Astrologia, todo evento ou acontecimento político/social tem sua própria carta para ser refletida e analisada. Da perspectiva que hoje nos ocupa, há 4 cartas de grande transcendência sobre as quais basearemos nosso estudo.
As 4 cartas a estudar são:


Carta nacional da Espanha, levantada em 6-12-1978 quando foi firmada a última constituição espanhola, depois de 40 anos de ditadura.

Carta nacional da Catalunha, levantada em 11-09-1714 quando às 15h foi anunciada a rendição de Barcelona frente ao assédio das tropas dos Bourbon, sendo esta derrota o princípio do fim da constituição e cortes catalãs. O dia 11 de setembro é o Dia Nacional de Catalunha porque, embora celebre uma derrota, foi a última vez que Catalunha desfrutou de um  autogoverno real. 

A carta da declaração da Independência do outubro de 2017, levantada em 10-10-2017 às 17’37, justo quando do parlamento o presidente (agora exilado em Bruxelas) catalão eleito, Carles Puigdemont i Casamajó, declarou a independência.

A carta da declaração da República de outubro de 2017, levantada em 27-10-2017 às 15’27, justo quando o parlamento catalão votou a República Catalã. É muito importante ter em conta que esta votação se realiza justo depois do abandono do hemiciclo por quase a metade de seus parlamentares, todos de tendência espanholista.

Antes de continuar, afirma-se que neste processo está muito presente o poder que exercem os trânsitos dos 4 planetas mais “lentos” sobre as 2 Cartas Nacionais, sendo o poder de Netuno o reflexo do sentimento e ideais nacionais, o de Urano a “elétrica” irrupção das novas ideias, o de Plutão a transformação através da destruição e o de Saturno a dificuldade e concreção segundo seja o Carma e sua oportunidade.

Abordamos, pois, a reflexão astrológica reflexionando e inter-relacionando as 4 cartas-chave com a vontade de pôr nosso grão de areia para o bom curso, (lembrar que “a energia segue o pensamento”), dos acontecimentos.









Carta nacional da Espanha (constituição de 1978)



É impressionante ver, como nesta carta o 6° Raio regente da Alma da Espanha, como nos diz o Tibetano, está muito presente através de Sagitário em Sol e Ascendente + Netuno e Marte (os planetas portadores do 6° Raio) também em Sagitário. De fato os três signos (Sagitário – Virgem – Peixes) portadores do 6° Raio estão muito ativados dando veracidade a todo o dito acima em relação a este Raio. Podemos dizer, pois, que a Espanha tem uma Alma com um Ideal nacional muito vinculado (por ser do 6° Raio de Devoção) ao sentimento religioso, uma Alma sonhadora, justiceira, aventureira, romântica, mística, amorosa, otimista e inteligente como boa Sagitário/Netuno/Marte + Lua em Peixes que é.
De um ponto de vista mais egoísta ou exotérico, este mundo sagitariano se mostra desde a casa 1 como um poder implacável apoiado pelo poder destruidor de Plutão - Saturno - nodo norte desde a  casa 10. Devido a isto é uma carta contundente e com um grande poder de expressão, já que os ângulos principais, casa 1 e casa 10, estão muito ativados.
A cruz mutável está muito presente dando a entender a necessidade de mudanças ou flexibilidade, algo difícil de praticar com este Sol/Marte/Netuno na casa do eu. Exotericamente falando, um sol em casa 1 sempre dá uma tendência ególatra, um sentido de poder  pessoal, um sentido de “ser si mesmo” por cima  dos demais,  e mais, como é o caso, se estão implicados Marte, Saturno e Plutão.  Júpiter como regente exotérico do Sol está em Leão em recepção mútua + trino com ele, reforçando ainda mais este poderoso ego pessoal. Não vamos esquecer que o Sol para a astrologia esotérica é a personalidade.
Pois bem, e aqui está a grandeza da astrologia esotérica, o Ascendente Sagitário, (como sabem o significado esotérico do signo ascendente para a astrologia esotérica marca o caminho da Alma), tem como regente esotérico a Terra que neste caso está em Gêmeos, um signo portador do 2° Raio de Amor e Sabedoria, o complemento ideal para, que através de relacionar e compreender a dualidade (Gêmeos), pode flexibilizar o sentimento idealizado, a devoção centralizada e/ou o sentido justiceiro tão característico de um excesso de sol sagitariano.
A Terra em Gêmeos dá a entender que Espanha, para seguir o caminho de sua Alma, deve pôr em prática, (a Terra é o campo do prático), um sentido da dualidade mais sábio e amoroso, (Gêmeos), através da aplicação de objetivos ou ideais mais incluentes, (Sagitário como Ascendente em seu significado esotérico tem o dom de saber criar objetivos e/ou ideais incluentes).
Chegados a este ponto, cabe perguntar se realmente está a Espanha aplicando estes significados e ideais mais flexíveis? Ou antes, se é um ego excessivamente centralizado em seus “longínquos” e cristalizados ideais?
Não vamos nos esquecer de que a Carta Nacional da Espanha é a carta da Constituição de 78, na qual, depois de quarenta anos de repressão, se reconhece a democracia e, com certa debilidade devido ao contexto em que foi aprovada, a diversidade nacional da Espanha. Este tímido reconhecimento na constituição da diversidade cultural da Espanha em realidade oculta o significado esotérico de Sagitário com a Terra em Gêmeos, e é por este padrão pelo qual verdadeiramente deve lutar a consciência espanhola se realmente quer se aproximar dos propósitos de sua Alma.
É claro que reconhecer estes significados esotéricos não é fácil, já que o Sol na casa 1 regido por Júpiter em Leão dá por si mesmo um otimismo solar, (pessoal-egoísta), um tanto “cego”, mas os poderosos acontecimentos de Catalunha demandam reflexão e mudanças substanciais em relação a estes ideais cristalizados espanholistas, mudanças que muito bem pode oferecer o aspecto flexível, dual e compreensivo aplicado do regente esotérico de Sagitário em Gêmeos.

Trânsitos atuais
Em relação a os acontecimentos atuais, é chave entender o poder que em toda a  Cruz Mutável está exercendo o trânsito de Netuno por Peixes
Sagitário/Gêmeos/Virgem estão muito afetados pelo poder de Netuno, sendo o trânsito de Saturno por Sagitário o causador da concreção na casa do “eu” do problema catalão, “o desgosto sentimental” ou psíquico que leva tempo anunciando Netuno. Netuno é tanto o psiquismo inferior como o superior e esta situação muito bem demandará um reajuste dos sentimentos e ideais implicados.










A carta nacional da Catalunha é na realidade um padrão energético que faz referência a uma derrota, um dura derrota perpetrada pelas tropas espanholas aliadas com a dinastia dos Bourbon frente às catalãs aliadas com a monarquia composta dos Habsburgos. Uma triste derrota que foi o inicio para a total supressão das históricas instituições catalãs.
Carta nacional da Catalunha (a derrota de 1714)


Como não podia ser de outra maneira, é uma carta de um país que quase não tem poder de expressão ou ser ele mesmo; os 4 ângulos cardinais, onde reside o poder de expressar em uma carta, não estão ativados; apenas Netuno é angular em casa 4 a Touro, dando a entender que à Catalunha, uma vez consumada a derrota, só restou a possibilidade de manter na raiz ou casa 4 um profundo sentimento nacional, um sentimento herdado, sua cultura popular, o desejo ou aspiração (Touro-Netuno) do povo (casa 4).

É uma carta que através do ascendente Capricórnio e da importantíssima linha Libra/Áries mostra uma Cruz Cardinal muito ativada. Sendo esta a cruz dos inícios, (que em uma oitava superior esotérica é a cruz das iniciações maiores), dando a entender que na raiz ou caminho da Alma desta carta se oculta o desejo de iniciar ou “ser de novo”.

Na carta se vê uma profunda necessidade de introspecção realizada através das qualidades de Virgem, o signo de terra que através do conflito ou 4° Raio é capaz de reconhecer o amor interno ou 2° Raio que nele (Virgem) mesmo reside.

A qualidade excepcional de Virgo é compreender do ângulo do reconhecimento do Amor interno (2° Raio) que o conflito (4° Raio) inerente à própria matéria é a essência ou pedra angular para construir a harmonia, (o aspecto positivo do 4° Raio). Virgem esotérico é o poder construtor.

Do ângulo do poder de iniciar ou concretizar de Capricórnio, como caminho da Alma, diríamos que o aspecto construtor interno de Virgem deve ser concretizado ou manifestado como algo sólido. A dificuldade de realizar isto se situa em Netuno; ele, por estar em cúspide cardinal, é o único planeta capaz de manifestar o aspecto Virgem com Saturno enfocado em Capricórnio que demanda a carta, mas por outro lado, ele, (Netuno), é o planeta menos concretado e mais evasivo ou psíquico de todos. A esperança de alcançá-lo reside no signo que o sustenta, Touro, pois sua Luz “terrenal”, pode chegar a transmutar o desejo netuniano em aspiração, e a aspiração, está mais próximo de Capricórnio Alma que o desejo.

O papel mais positivo da carta nacional da Catalunha está escrito na magnífica linha Libra (Vênus-Lua) Áries (Júpiter), nela se refletem muitos dos dons da Catalunha: dinamismo, beleza, vontade empreendedora, generosidade, inventiva…, é uma linha onde as qualidades iniciadoras dos raios ímpares (1-3-7) está muito presente, sendo a dignidade de Vênus o reflexo de seu magnetismo.

Atentemos como os regentes hierárquicos* (o aspecto criador) de Virgem (Júpiter) e de Capricórnio (Vênus) ocupam referida magnífica linha Libra/Áries. É como se o poder de Virgem/Capricórnio se refletisse na nobreza desta linha.



Trânsitos atuais:

Os importantíssimos conflitos atuais começaram a gestar quando Saturno por além de 2010 transitou por Virgem, mas tomaram um aspecto novo, “eletrizante” e transformador, quando Urano, desde Áries, tocou por oposição à Lua e começou seu caminho para Vênus, enquanto Plutão entrou em contato com o grau Ascendente.

Urano desde Áries em contato com Vênus em Libra, o regente do importantíssimo Netuno na raiz, sentimento, casa 4 da Catalunha, foi o grande despertador, o “raio” que eletrificou com seu sentido da novidade a grande parte do povo catalão.

Os trânsitos de Netuno ao sol em Virgem desde Peixes, o contato de Plutão com o ascendente e Urano desde Áries, foram os responsáveis pelas novas ideias e esperanças que sem lugar a dúvidas revolucionarão o status quo imperante entre Espanha e Catalunha; isso sim, sempre através de manifestar o sentimento e ideal catalão, (Netuno angular em casa 4), de forma pacífica e decorosa, pois Netuno está muito bem regido pelo sempre inteligente e educado Vênus em Libra.

De um ponto de vista preditivo, pensamos que quando Saturno transitar por Capricórnio e também, em menor medida por Aquário,  as soluções para o conflito atual se concretizarão definitivamente.

Pensamos que o tempo-chave será 2019-20, quando Saturno se unir a Plutão e transitar pelo sempre importantíssimo grau Ascendente Capricórnio; e Netuno desde Peixes se opuser ao Sol/Saturno/Urano em Virgem; e Urano em trânsito por Touro se acercar de Netuno cúspide da 4; se aplicará um contato múltiplo tão poderoso que certamente será o reflexo celestial de resultados práticos definitivos.

Tratar-se-á de comprovar até que ponto a sociedade catalã compreenderá o trânsito de Saturno como o regente esotérico de seu Capricórnio/Alma que é, e não tanto a um Saturno exotérico portador de dificuldades e negações compreendido desde Virgo/Personalidade. De fato, se se entende desde o caminho da Alma ou Capricórnio, é muito provável que surja para a Catalunha (e quem sabe também para a Espanha) uma nova carta nacional.




Sinastria entre ambas as cartas
Se contrapomos as duas cartas nacionais, podemos dizer que os signos de terra de Catalunha dão um sentido prático e realista à escassez de terra da Espanha; assim como a água, (Peixes – Escorpião), da Espanha dá uma contraparte sensível emotiva com “desgosto” incluído, (por parte de Escorpião), à escassez de água da Catalunha.

Por outro lado, e em um sentido muito positivo, o ar e o fogo se complementam, observemos como a esplêndida linha Áries/Libra da Catalunha forma “um grande cometa”, (configuração geométrica astrológica muito positiva), com o esplêndido trino Leão/Sagitário da Espanha. O fogo espanhol oferece temperamento e o ar catalão equilíbrio e intuição.

Vemos também que a relação Virgem – Sagitário se impõe desde a quadratura, com os Saturno Sois de ambos implicados, exotericamente falando isto é um selo muito forte para a dificuldade e incompreensão.

Mas esotericamente pensamos que a importantíssima Virgem de Catalunha com seu regente esotérico incluído, bem pode iluminar o excesso de Sagitário da Espanha. Para o bem da Alma espanhola poderíamos dizer que a compreensão do 2° Raio que atesoura Virgem pode aproximar o apaixonado 6° Raio sagitariano a seu aspecto mais flexível refletido no 2° Raio Gêmeos. Dito em outras palavras, historicamente o conflito catalão com suas soluções sempre supõe algum tipo de inflexão na Espanha.

Na contraposição de cartas também se destaca uma relação muito compulsiva-cármica entre as “luas” e os “plutões” de ambas as cartas; isto nos diz que a vinculação entre as duas culturas implica em intensidade, em transformação (destruição) ou no desapego de suas formas lunares de expressão.




Os dois eventos-chave da atualidade

Para finalizar, faremos uma breve reflexão sobre os dois eventos-chave que marcaram e estão marcando o processo catalão:


Carta da Declaração de Independência da Catalunha 2017

Este pode ser considerado o momento culminante de todo o processo, foi quando o presidente da Generalitat da Catalunha declarou sua independência, para logo depois suspendê-la e assim poder abrir uma porta para o diálogo com o governo espanhol. Foi em momento intenso, com o parlamente pleno e todas  as mídias de comunicação voltadas para esse evento, tudo precedido de dias de intenso e acalorado debate seguido pela população (espanhola e catalã) até pelas pessoas que nunca antes haviam se interessado pela política.




Se observarmos fica claríssimo na carta o poder deste momento, onde a cruz cardinal, muito poderosamente ativada, marca o início de algo importante, ilusionante e ao mesmo tempo eletrizante, desconhecido e inquietante por ser novo e refrescante.
Urano desde Áries, justo no grau ascendente, mostra um nobre e poderosíssimo 1° Raio de Vontade e Poder, ele, “a mente cósmica”, é o reflexo na carta de toda a revolução social que se gerou, da velocidade dos acontecimentos, do acalorado e novo de ideias, inclusive do estado de perplexidade de muitas pessoas que, por revolucionário ou surpreendente, não entendem com clareza a situação.
Áries + Urano nesta carta mostram uma grande nobreza, porque “a mente cósmica” ou Urano está em sua regência hierárquica* ou aspecto criador, ao mesmo tempo em que também é o regente esotérico ou aspecto consciência refletido em Libra. 
Plutão desde Capricórnio angular na casa 10 também nos mostra um poderosíssimo 1° Raio, mas de sua vertente mais destruidora, nele está o reflexo das mais de 2400 empresas e bancos que hoje  em dia saíram da Catalunha, algumas delas com mais de 300 anos de antiguidade, Plutão destrói o apego destas empresas pelo país que as viu nascer e elas se vão. Neste poder plutoniano também está a polarização destrutiva do político, o autoritarismo do estado central espanhol, a suspensão das instituições catalãs, a transformação das relações, o aspecto destruidor da polícia, o desapego de certos sentimentos e ideias, o medo…, de alguma maneira se pode entender, devido à grande nobreza regente e posicional que ostenta Urano, que a limpeza que está exercendo Plutão está motivada pela “mente cósmica” para a livre penetração de suas novas ideias, e nesta última afirmação se fundamenta uma esperança.
A casa 7 tão carregada com um Júpiter angular muito benigno, obriga a pesar toda a novidade acima mencionada com a realidade refletida no outro.  A casa VII mostra um muito benigno contraponto de 2° Raio de compreensão e expansão - Júpiter frente ao 1° Raio de Poder: Áries Urano ou a novidade  +  Capricórnio Plutão e a transformação.








Carta da Declaração da Nova República Catalã 
Foi um evento muito menos brilhante, ocorreu uns dias depois do primeiro, e foi a criação, através de uma votação, da Nova República Catalã. Foi um acontecimento, todo e sua transcendência, algo triste, devido a que na votação metade do parlamento de tendência espanholista se ausentou como ato de protesto, dando com isso mostras de que a Nova República nascia com “o pé esquerdo”.
Poderíamos dizer que foi “um passo em falso” levado a cabo pela grande pressão a que estavam submetidos os poderes decisórios catalães. Estes poderes uns dias depois do êxito mediático da declaração da independência e sua posterior suspensão e súplica pelo diálogo com o governo espanhol, não souberam parar e dar um tempo.  Não souberam ver a possibilidade (como assim foi) de uma reação agressiva por parte da Espanha mais própria de princípios do século XX que do XXI; e também não souberam reconhecer que com a conjuntura existente e as “ferramentas” disponíveis era impossível  levar a cabo de forma material a tão ansiada república. 
E realmente foi assim, pois a Nova República Catalã não conseguiu se levar ao terreno prático, convertendo-se em algo simbólico/subjetivo que sequer foi publicada no diário oficial, e que tem quase todos os seus promotores principais em prisão acusados do grave delito de insubordinação/rebelião, ou escapados/exilados em Bruxelas com a intenção última e um tanto desesperada de pedir “help” ou levar ao cenário europeu a gravidade  do ocorrido.




Astrologicamente, como não podia ser de outra maneira, é uma carta sem poder de expressão, os ângulos estão vazios, lembremos que os ângulos cardinais são aqueles que têm o poder de manifestar e, portanto, a República não se manifestou.
Mas por outro lado é uma carta com um grande poder esotérico através de sua cruz fixa, com Sol-Lua e Signo Ascendente na Cruz da Luz ou Consciência da Alma.
É uma carta que demanda uma grande reflexão através de Escorpião – Aquário, onde a qualidade universal de Aquário (o serviço) deve surgir triunfante através do poder purificador de Escorpião. A intuição adquirida através do conflito do 4º Raio nos deve levar ao amor aplicado ou serviço do 5° Raio.
Mas a pergunta é, que significado tem “o aguador” em uma carta sem poder para materializar o serviço?
A resposta é lógica, esta carta, na qual seus regentes hierárquicos (Mercúrio – Lua) estão em dignidade, dá a entender uma grande oportunidade para a introspecção criativa, a aplicação de um serviço subjetivo ou interno para a autocompreensão, a autocrítica benigna também como serviço ao “si mesmo” ou “povo”, o amar e o não julgar, o correto pensar, a análise incluente através do conflito interno que geram os diferentes desejos envolvidos.
A carta demanda através do intenso poder conflitivo de Escorpião regalar-se “a água clara” que traz consigo o aspecto universal ou social de Aquário. A luta interna (Escorpião) que surge triunfante, através do desapego (Aquário), como água da vida para a própria (do povo) cura.
Aquário como caminho para a Alma nos diz:
“eu sou a água de vida vertida para os sedentos”


Una terceira e definitiva carta:
Vamos refletir em profundidade, pois, com esta cruz fixa tão ativada, temos a grande oportunidade de realizar a consciência uma reflexão honesta que ajudará muito a que a terceira carta ou próximo acontecimento importante, (que chegará em torno do 2019 com Saturno transitando por Capricórnio), possa estar marcado pela universalidade de Aquário, o único capaz de compreender (desde o serviço ativo) a poderosa novidade que nos chegou através  de Urano em Áries.
É muito claro que este artigo, devido ao “eletrizante” da situação, no dia de hoje, já tenha algumas de suas partes caducadas, daí a importância da carta definitiva que surgirá em torno de 2019, mas enquanto isso há que estar muito atentos e inofensivos e aproveitar esta estupenda oportunidade para se aprofundar no estudo astrológico.

Desejamos de todo Coração que Catalunha e Espanha encontrem seus caminhos através do Caminho da inofensividade construtora de Amor.

*O regente Hierárquico é o aspecto criador, o resultado intermediário ativo que surge da união ou integração do aspecto consciência (regente esotérico) com o aspecto matéria ou regente exotérico. Quando a Alma se “apodera” da Personalidade, surge o verdadeiro Espírito criador.





David C.M. ( logos.astrologiaesoterica@gmail.com )



quarta-feira, 27 de setembro de 2017

As casas 4, 5 e 6





O Significado esotérico das casas 4, 5 e 6.

Para a astrologia esotérica, as casas não têm um significado muito relevante, já que se considera que o poder material que exercem sobre o sujeito diminui na medida em que este demonstra contato com a Alma e, portanto, maior consciência da energia que transmitem os 12 signos e suas três cruzes correspondentes.

Ainda assim é muito importante considerar o significado esotérico que se oculta após o poder exotérico das casas, Essência que em toda ação externa se esconde sempre um significado ou estado de consciência (aspecto subjetivo) que merece ser analisado.



A Casa 4

Esotericamente falando, na casa 1 faz ato de presença a mente, como a intenção enfocada e criadora na casa 2 do desejo, a sensibilidade que na casa 3 se reflete como a comunicação ou interação etérica entre as duas partes implicadas, a material e a espiritual, que finalmente se manifestam na casa 4, regida pela Lua, como a forma densa.  Os 3 sagrados unificados e manifestados no 4.

Nos livros esotéricos se nos diz que a Lua é “a vontade de Deus para Sua manifestação na forma”, dando a entender que a tríade lunar, (mente-emoção e corpo etérico), é a única síntese possível através da qual se expressa A Divindade na Matéria.

Exotericamente falando, a casa 4 rege a raiz familiar, “aquilo herdado” ou carma lunar com suas  emoções e forma mental mais instintiva, a mãe, a infância, felicidade, satisfação, a chuva, o aspecto nutridor e protetor da natureza mãe, também o ambiente cultural, nacional, comodidades, veículos, casa, o lar…, esotericamente falando podemos bem interpretar que o “lar”, “raiz”, “satisfação”  ou “felicidade” são conceitos que refletem que a tríade lunar – casa 4 é o lar da essência espiritual viva.

Entendemos por Essência aquele aspecto psíquico que unifica a mente, a emoção e o corpo etérico para Sua expressão em um todo funcionante ou lua. Como já dissemos, os 3 sagrados através do 4 ou unidade manifestada.

A esta casa exotericamente é dada a regência da área do tórax, (o nutridor leite materno), e o coração, o lugar onde esotericamente se sintetiza o amor, “aquilo que nutre”,  a Essência manifestada através da inspiração e expiração.

A Lua, regente da casa 4, é regida pelo 4º Raio de Harmonia através do Conflito porque nela reside “a condição herdada”, aquele peculiar “Conflito” psíquico que a consciência em determinada vida deverá vivenciar em sua cotidianidade para assim, (através de si mesma), expressar Harmonia e Beleza.

Nela residem as limitações do passado, mas, ao mesmo tempo, apenas através dela, e nela, está o campo de trabalho onde se demonstra objetivamente sua transcendência. 



A casa 5

Por lógica, se na casa 4 está a manifestação da Essência espiritual através da forma ou matéria, na casa 5 está situada a luz ou o aspecto consciência que referida Essência atesoura.

Exotericamente, na casa 5 reside a inteligência e sua independência criativa, o “eu” com seu gênio  pro-criador, os filhos, obras de arte, as distrações, os filhos, aventuras, dramatismo, glamour …, esotericamente este “eu” tão individual tem seu reflexo no corpo causal, o lugar na mente onde residem a Consciência mais abstrata ou Alma. O lugar onde a inteligência por direito evolutivo é a criadora de nossos traços mais característicos, relevantes e únicos.

Da Alma, a casa 5 é aquilo autêntico, aquele eu ou consciência mais vinculado ao nível evolutivo alcançado em vidas passadas. É a luz-autoengendrada, (casa 5 regida pelo sol), portanto é a autoconsciência, aquela inteligência-ação que só depende de si mesma.

Tradicionalmente nos é dito que a casa cinco rege a sorte, no sentido da chegada daquilo inesperado, (por exemplo, a loteria), que traz consigo alívio material e psíquico, esotericamente podemos pensar que tudo aquilo que está vinculado com a inteligência superior da Alma ou o “Eu” traz consigo a bem-aventurança.

O Sol, como regente de casa 5, é o símbolo desta luz ou inteligência consciente que, por direito evolutivo, tem o direito de se manifestar de maneira criativamente livre.

Esta casa rege a parte superior do estômago, o abdômen, o lugar onde o coração se toca com a emoção ou plexo solar, “o rei e o poder de sua fé” seguem juntos. O estômago é o primeiro local onde a diversidade de alimentos-ideias ingeridos se mesclam e sintetizam em uma unidade homogênea; a inteligência cria a unidade ou “eu” que posteriormente será depurada-digerida e expressa como serviço através do intestino inferior regido pela casa 6-Mercúrio.


A Casa 6

Como temos dito, a casa 6 é a casa do serviço, ali onde a essência + sua consciência servem a seu si-mesmo mais universal para alcançar um bem para a totalidade maior.

Exotericamente, esta casa rege todo o serviçal, os animais de estimação, empregados, enfermeiras, o trabalhar diário, artesanato, também as preocupações, doenças, debilidades, inimigos…, esotericamente estes conceitos como “preocupação”, “debilidade”, “doença”, são o reflexo na consciência da Alma da necessidade de uma maior perfeição ou purificação e, como sabemos, todo esforço e atitude por se renovar tem o contratempo da doença, debilidade, inimigo ou personalidade cristalizada que se rebela e não aceita. 

Por outro lado, a constância do artesanato, ou o cuidado de um animal doméstico ou de um doente esotericamente são o fiel reflexo do esforço e constante esmero que a consciência tem por reconhecer e cuidar daquele sutil e “pequeno” amor com vocação universal que reside em seu interior. 

Toda essência com sua consciência deve servir a seu “si-mesmo” superior, aquele aspecto amor, também chamado esotéricamente aspecto crístico, que se nutre e constrói desde e com a mesma mãe natureza ou corpo matéria.

A região do umbigo, regida pela casa 6,  é o lugar do corpo humano onde há uma maior concentração de nervos, dando a entender da importância vital para a consciência de construir ou modelar o aspecto Amor através e na própria matéria.

O Amor na casa 6 e, sobretudo, no significado de Virgo é a energia que purifica ou redime a Matéria.  Na casa 5, regida pelo arquétipo de Leão, alcança-se o topo do “eu sou”,  afirmação que a partir de então, e em seus começos na casa 6/Virgem, deve aprender a considerar o significado do Amor Universal, tão característico de seu signo complementar ou Aquário.

Esta casa é a regente do estômago inferior, ali onde o “alimento” é assimilado, melhor compreendido e, portanto, purificado. O serviço como ato de se melhorar a si mesmo e com isso também o mundo.

Mercúrio é o regente deste trabalho purificador, o construtor ou forjador de uma maior união entre o Amor Universal e o Pessoal.  O pequeno planeta mais próximo do Sol, “o filho da mente”, “a mente livre”, aquela energia que com sua virtude discrimina, discerne e reflete até alcançar a intuição unificadora, o contato com a Verdade que, na realidade, é a própria verdade reconhecida.

Na casa 6, e graças ao poder de raciocino ou de construção mercurial,  o corpo humano se vê melhor compensado e disposto para assim levar a cabo a principal necessidade da Alma:  o Serviço.





O próprio Dharma das casas 4, 5 e 6

Como sabemos, a casa regente do Dharma ou ação correta em um horóscopo é a casa 9. Ela nos fala da atitude que mais convém à casa 1, a mais importante da carta.

Um exercício muito válido para melhor entender as inter-relações astrológicas que se produzem em um horóscopo é considerar a casa 9 de cada uma das 12 casas. Por exemplo, aplicando este exercício às 3 casas que nos ocupam podemos dizer que:

A casa 9 desde a casa 4, isto é, contando como se a casa 4 fosse a um, é a casa 12, a casa de “a liberação”, dando a entender que para a casa 4 com “a essência armadilhada em um corpo lunar”, o dharma ou ação mais correta é a liberação de suas ataduras mais lunares restritivas. De fato, observemos que a casa 9, contando desde a 12, é a casa 8, a casa de “a morte e a transformação”, dando a entender que para conquistar uma maior  “liberação”  da “essência atada à lua”, há que transformar-se ou “morrer”,  se entende por morrer a destruição ou desapego do ponto de vista mais pessoal ou egoísta.

A casa 9 da casa 5, é a casa 1, “o propósito da alma”, dando a entender que o Dharma do corpo causal ou a inteligência da Alma regida pela casa 5 é atender às necessidades e propósitos  da casa 1, onde o significado de seu signo regente, chamado signo ascendente,  oculta a chave para o correto funcionar de referida inteligência causal criadora de bem-aventurança.

A casa 9 desde a casa 6, é a casa 2, a casa do “desejo” ou aspiração, dando a entender que o Dharma ou a correta ação para a casa 6, é estar inspirada pelo nobre desejo de forjar na matéria  um amor puro capaz de expressar serviço ao bem comum.

De fato, os arquétipos regentes esotéricos das casas 2 e 6, Touro e Virgem, são Vulcano e a Lua (velando Vulcano), sendo a aspiração taurina la motivação para o poder modelador de seu regente Vulcano, e o aspecto mãe de Virgem, o campo de trabalho ou Lua velando também Vulcano, os dois signos de terra que unem esforços para a posterior manifestação do Amor através de um corpo físico puro ou o nascimento na forma de uma Cristo em Capricórnio.







Astrologia Sideral  versus  Tropical

Quando a pessoa se dedica ao estudo de um horóscopo, a primeira coisa que sempre deve ponderar é o máximo interesse vital que tem seu dono. Se o máximo interesse está vinculado com as tendências mais materiais-exotéricas, que sem lugar de dúvidas são legítimas e muito importantes, deste blog recomendamos utilizar a carta védica ou sideral. Para realizar esta carta, (há diversas webs que a realizam), se devem subtrair 23’5º a todos os pontos chave, (grau ascendente, nodos e planetas), da carta tropical; uma vez feita a operação, o signo onde se situa o novo grau ascendente passa a ser considerado como a casa 1 em sua totalidade. Isto é, se o grau ascendente, uma vez subtraídos os 23’5º, cai em Touro, toda a casa um será Touro, a 2 será Gêmeos, toda a 3 será Câncer e assim sucessivamente; e, além disso, todos os 12 signos, sem exceção, deverão ser regidos por seus 7 regentes tradicionais, sem ter em conta para nada os 3 planetas chamados modernos, Urano, Netuno e Plutão, como também não as regências esotéricas que tanto utilizamos neste blog.

Segundo nosso ponto de vista, e graças às muitas observações e análises realizadas, consideramos que este tipo de astrologia sideral, muito utilizada no ocidente e original da Índia Védica, é muito mais certeira que a tropical na hora de reconhecer como influenciam no sujeito e suas distintas atividades os aspectos mais exotéricos das casas.

Mas, se as necessidades e o interesse vital deste sujeito estão mais  relacionados, (embora a dualidade matéria-espírito sempre esteja presente), com as tendências da Alma, é então que se faz muito necessário estudar a carta tropical, onde o significado do signo ascendente, (acima do signo solar), junto com seu regente esotérico, pega o padrão principal que marcará as tendências mais espirituais de referido sujeito.
Para analisar as 11 casas restantes que surgem a partir deste padrão ascendente ou casa 1 principal, deve-se combinar o significado dos 11 signos com o das 11 casas, dando prioridade na análise à energia do signo por cima da força da casa. Dito de outra maneira, desde a Alma e para a Alma, o significado de um signo sempre condiciona a força de uma casa e/ou um planeta.







David C.M (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)