quarta-feira, 27 de setembro de 2017

As casas 4, 5 e 6





O Significado esotérico das casas 4, 5 e 6.

Para a astrologia esotérica, as casas não têm um significado muito relevante, já que se considera que o poder material que exercem sobre o sujeito diminui na medida em que este demonstra contato com a Alma e, portanto, maior consciência da energia que transmitem os 12 signos e suas três cruzes correspondentes.

Ainda assim é muito importante considerar o significado esotérico que se oculta após o poder exotérico das casas, Essência que em toda ação externa se esconde sempre um significado ou estado de consciência (aspecto subjetivo) que merece ser analisado.



A Casa 4

Esotericamente falando, na casa 1 faz ato de presença a mente, como a intenção enfocada e criadora na casa 2 do desejo, a sensibilidade que na casa 3 se reflete como a comunicação ou interação etérica entre as duas partes implicadas, a material e a espiritual, que finalmente se manifestam na casa 4, regida pela Lua, como a forma densa.  Os 3 sagrados unificados e manifestados no 4.

Nos livros esotéricos se nos diz que a Lua é “a vontade de Deus para Sua manifestação na forma”, dando a entender que a tríade lunar, (mente-emoção e corpo etérico), é a única síntese possível através da qual se expressa A Divindade na Matéria.

Exotericamente falando, a casa 4 rege a raiz familiar, “aquilo herdado” ou carma lunar com suas  emoções e forma mental mais instintiva, a mãe, a infância, felicidade, satisfação, a chuva, o aspecto nutridor e protetor da natureza mãe, também o ambiente cultural, nacional, comodidades, veículos, casa, o lar…, esotericamente falando podemos bem interpretar que o “lar”, “raiz”, “satisfação”  ou “felicidade” são conceitos que refletem que a tríade lunar – casa 4 é o lar da essência espiritual viva.

Entendemos por Essência aquele aspecto psíquico que unifica a mente, a emoção e o corpo etérico para Sua expressão em um todo funcionante ou lua. Como já dissemos, os 3 sagrados através do 4 ou unidade manifestada.

A esta casa exotericamente é dada a regência da área do tórax, (o nutridor leite materno), e o coração, o lugar onde esotericamente se sintetiza o amor, “aquilo que nutre”,  a Essência manifestada através da inspiração e expiração.

A Lua, regente da casa 4, é regida pelo 4º Raio de Harmonia através do Conflito porque nela reside “a condição herdada”, aquele peculiar “Conflito” psíquico que a consciência em determinada vida deverá vivenciar em sua cotidianidade para assim, (através de si mesma), expressar Harmonia e Beleza.

Nela residem as limitações do passado, mas, ao mesmo tempo, apenas através dela, e nela, está o campo de trabalho onde se demonstra objetivamente sua transcendência. 



A casa 5

Por lógica, se na casa 4 está a manifestação da Essência espiritual através da forma ou matéria, na casa 5 está situada a luz ou o aspecto consciência que referida Essência atesoura.

Exotericamente, na casa 5 reside a inteligência e sua independência criativa, o “eu” com seu gênio  pro-criador, os filhos, obras de arte, as distrações, os filhos, aventuras, dramatismo, glamour …, esotericamente este “eu” tão individual tem seu reflexo no corpo causal, o lugar na mente onde residem a Consciência mais abstrata ou Alma. O lugar onde a inteligência por direito evolutivo é a criadora de nossos traços mais característicos, relevantes e únicos.

Da Alma, a casa 5 é aquilo autêntico, aquele eu ou consciência mais vinculado ao nível evolutivo alcançado em vidas passadas. É a luz-autoengendrada, (casa 5 regida pelo sol), portanto é a autoconsciência, aquela inteligência-ação que só depende de si mesma.

Tradicionalmente nos é dito que a casa cinco rege a sorte, no sentido da chegada daquilo inesperado, (por exemplo, a loteria), que traz consigo alívio material e psíquico, esotericamente podemos pensar que tudo aquilo que está vinculado com a inteligência superior da Alma ou o “Eu” traz consigo a bem-aventurança.

O Sol, como regente de casa 5, é o símbolo desta luz ou inteligência consciente que, por direito evolutivo, tem o direito de se manifestar de maneira criativamente livre.

Esta casa rege a parte superior do estômago, o abdômen, o lugar onde o coração se toca com a emoção ou plexo solar, “o rei e o poder de sua fé” seguem juntos. O estômago é o primeiro local onde a diversidade de alimentos-ideias ingeridos se mesclam e sintetizam em uma unidade homogênea; a inteligência cria a unidade ou “eu” que posteriormente será depurada-digerida e expressa como serviço através do intestino inferior regido pela casa 6-Mercúrio.


A Casa 6

Como temos dito, a casa 6 é a casa do serviço, ali onde a essência + sua consciência servem a seu si-mesmo mais universal para alcançar um bem para a totalidade maior.

Exotericamente, esta casa rege todo o serviçal, os animais de estimação, empregados, enfermeiras, o trabalhar diário, artesanato, também as preocupações, doenças, debilidades, inimigos…, esotericamente estes conceitos como “preocupação”, “debilidade”, “doença”, são o reflexo na consciência da Alma da necessidade de uma maior perfeição ou purificação e, como sabemos, todo esforço e atitude por se renovar tem o contratempo da doença, debilidade, inimigo ou personalidade cristalizada que se rebela e não aceita. 

Por outro lado, a constância do artesanato, ou o cuidado de um animal doméstico ou de um doente esotericamente são o fiel reflexo do esforço e constante esmero que a consciência tem por reconhecer e cuidar daquele sutil e “pequeno” amor com vocação universal que reside em seu interior. 

Toda essência com sua consciência deve servir a seu “si-mesmo” superior, aquele aspecto amor, também chamado esotéricamente aspecto crístico, que se nutre e constrói desde e com a mesma mãe natureza ou corpo matéria.

A região do umbigo, regida pela casa 6,  é o lugar do corpo humano onde há uma maior concentração de nervos, dando a entender da importância vital para a consciência de construir ou modelar o aspecto Amor através e na própria matéria.

O Amor na casa 6 e, sobretudo, no significado de Virgo é a energia que purifica ou redime a Matéria.  Na casa 5, regida pelo arquétipo de Leão, alcança-se o topo do “eu sou”,  afirmação que a partir de então, e em seus começos na casa 6/Virgem, deve aprender a considerar o significado do Amor Universal, tão característico de seu signo complementar ou Aquário.

Esta casa é a regente do estômago inferior, ali onde o “alimento” é assimilado, melhor compreendido e, portanto, purificado. O serviço como ato de se melhorar a si mesmo e com isso também o mundo.

Mercúrio é o regente deste trabalho purificador, o construtor ou forjador de uma maior união entre o Amor Universal e o Pessoal.  O pequeno planeta mais próximo do Sol, “o filho da mente”, “a mente livre”, aquela energia que com sua virtude discrimina, discerne e reflete até alcançar a intuição unificadora, o contato com a Verdade que, na realidade, é a própria verdade reconhecida.

Na casa 6, e graças ao poder de raciocino ou de construção mercurial,  o corpo humano se vê melhor compensado e disposto para assim levar a cabo a principal necessidade da Alma:  o Serviço.





O próprio Dharma das casas 4, 5 e 6

Como sabemos, a casa regente do Dharma ou ação correta em um horóscopo é a casa 9. Ela nos fala da atitude que mais convém à casa 1, a mais importante da carta.

Um exercício muito válido para melhor entender as inter-relações astrológicas que se produzem em um horóscopo é considerar a casa 9 de cada uma das 12 casas. Por exemplo, aplicando este exercício às 3 casas que nos ocupam podemos dizer que:

A casa 9 desde a casa 4, isto é, contando como se a casa 4 fosse a um, é a casa 12, a casa de “a liberação”, dando a entender que para a casa 4 com “a essência armadilhada em um corpo lunar”, o dharma ou ação mais correta é a liberação de suas ataduras mais lunares restritivas. De fato, observemos que a casa 9, contando desde a 12, é a casa 8, a casa de “a morte e a transformação”, dando a entender que para conquistar uma maior  “liberação”  da “essência atada à lua”, há que transformar-se ou “morrer”,  se entende por morrer a destruição ou desapego do ponto de vista mais pessoal ou egoísta.

A casa 9 da casa 5, é a casa 1, “o propósito da alma”, dando a entender que o Dharma do corpo causal ou a inteligência da Alma regida pela casa 5 é atender às necessidades e propósitos  da casa 1, onde o significado de seu signo regente, chamado signo ascendente,  oculta a chave para o correto funcionar de referida inteligência causal criadora de bem-aventurança.

A casa 9 desde a casa 6, é a casa 2, a casa do “desejo” ou aspiração, dando a entender que o Dharma ou a correta ação para a casa 6, é estar inspirada pelo nobre desejo de forjar na matéria  um amor puro capaz de expressar serviço ao bem comum.

De fato, os arquétipos regentes esotéricos das casas 2 e 6, Touro e Virgem, são Vulcano e a Lua (velando Vulcano), sendo a aspiração taurina la motivação para o poder modelador de seu regente Vulcano, e o aspecto mãe de Virgem, o campo de trabalho ou Lua velando também Vulcano, os dois signos de terra que unem esforços para a posterior manifestação do Amor através de um corpo físico puro ou o nascimento na forma de uma Cristo em Capricórnio.







Astrologia Sideral  versus  Tropical

Quando a pessoa se dedica ao estudo de um horóscopo, a primeira coisa que sempre deve ponderar é o máximo interesse vital que tem seu dono. Se o máximo interesse está vinculado com as tendências mais materiais-exotéricas, que sem lugar de dúvidas são legítimas e muito importantes, deste blog recomendamos utilizar a carta védica ou sideral. Para realizar esta carta, (há diversas webs que a realizam), se devem subtrair 23’5º a todos os pontos chave, (grau ascendente, nodos e planetas), da carta tropical; uma vez feita a operação, o signo onde se situa o novo grau ascendente passa a ser considerado como a casa 1 em sua totalidade. Isto é, se o grau ascendente, uma vez subtraídos os 23’5º, cai em Touro, toda a casa um será Touro, a 2 será Gêmeos, toda a 3 será Câncer e assim sucessivamente; e, além disso, todos os 12 signos, sem exceção, deverão ser regidos por seus 7 regentes tradicionais, sem ter em conta para nada os 3 planetas chamados modernos, Urano, Netuno e Plutão, como também não as regências esotéricas que tanto utilizamos neste blog.

Segundo nosso ponto de vista, e graças às muitas observações e análises realizadas, consideramos que este tipo de astrologia sideral, muito utilizada no ocidente e original da Índia Védica, é muito mais certeira que a tropical na hora de reconhecer como influenciam no sujeito e suas distintas atividades os aspectos mais exotéricos das casas.

Mas, se as necessidades e o interesse vital deste sujeito estão mais  relacionados, (embora a dualidade matéria-espírito sempre esteja presente), com as tendências da Alma, é então que se faz muito necessário estudar a carta tropical, onde o significado do signo ascendente, (acima do signo solar), junto com seu regente esotérico, pega o padrão principal que marcará as tendências mais espirituais de referido sujeito.
Para analisar as 11 casas restantes que surgem a partir deste padrão ascendente ou casa 1 principal, deve-se combinar o significado dos 11 signos com o das 11 casas, dando prioridade na análise à energia do signo por cima da força da casa. Dito de outra maneira, desde a Alma e para a Alma, o significado de um signo sempre condiciona a força de uma casa e/ou um planeta.







David C.M (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)

sábado, 22 de julho de 2017

Una interpretação esotérica do horóscopo de Wolfgang Amadeus Mozart





Wolfgang Amadeus Mozart

Ao escutar a música de Mozart, qualquer pessoa sensível se dá conta de que estamos ante a música de uma Alma grande, uma mente privilegiada e um coração alegre, um músico dos pés à cabeça com um sentido excepcional da melodia.

É uma música que te faz sentir uma razão maravilhada, um impulso de alegria e liberdade, um todo tão em seu justo lugar que te deixa perplexo e agradecido.

Certamente, ante tanta luminosidade, podemos pensar sem medo de errar que Mozart foi uma Alma com um elevado grau evolutivo e que isto, necessariamente, deverá se ver refletido no horóscopo de sua Alma.

Como já temos afirmado1 mais de uma vez neste blog, quando uma consciência muito evoluída exerce fortes influências sobre seu ambiente social, em seu horóscopo fica evidente seu raio da Alma. Como é em cima é embaixo.



O 4º Raio de Harmonia e Beleza

É uma evidência que a música de Mozart está plena de refinadas e generosas melodias e, neste sentido, em relação às Almas pertencentes ao 4º Raio de Harmonia e Beleza, o Mestre Tibetano nos diz:

As composições musicais de quarto raio são plenas de melodia, porque o homem que pertence a este raio ama a melodia”

Psicologia Esotérica I - Alice Bailey



Partindo desta afirmação tão contundente e sabendo (do ponto de vista astrológico) que o 4º Raio desde uma das 7 estrelas da Ursa Maior chega a nosso sistema solar através de Touro – Escorpião – Sagitário manifestando-se fisicamente em Mercúrio, seu protótipo cósmico, podemos bem pensar que no horóscopo de Wolfgang Amadeus Mozart estes signos e planeta deveriam ter uma influência muito forte.





O Horóscopo de Wolfgang Amadeus Mozart






Primeira impressão astrológica

E como podemos observar certamente o poder esotérico que exerce Sagitário como signo angular é enorme. A Lua desde o Arqueiro se nos mostra como a regente esotérica do Ascendente Virgem, Hierárquica de Aquário com todos seus planetas, e exotérica de Marte. Plutão, também desde o Arqueiro, se nos mostra como o regente hierárquico e esotérico de um importantíssimo Urano em Peixes. Importante por estar conjunto a um ângulo e ser o regente exotérico de todos os planetas de Aquário e o esotérico de Júpiter em Libra.

Também cabe destacar que a conjunção Plutão/Lua, regente do ascendente/descendente, faz um sextil quase exato com Júpiter, um planeta muito implicado através da regências, já que é o regente exotérico do mesmo Sagitário e de Urano em Peixes, como também o regente esotérico de Aquário e o regente hierárquico de Virgem. Diríamos que a Lua, a Alma, com este magnífico sextil aplicativo, está apoiada pela generosidade e a expansão de Júpiter.

Por outro lado, Mercúrio, o planeta que sintetiza a energias do 4º Raio em nosso sistema solar, é com muito o planeta mais tensionado ou ativado da carta, já que sua conjunção com o Sol em oposição aplicativa quase exata a Netuno em Leão evidencia uma relação “difícil” que, bem seguro, foi o motor ou acicate para que Wolfgang, com o tempo, abandonasse as tendências de Aquário para se aproximar, através de Virgem, aos significados mais esotéricos que Sagitário traz consigo neste horóscopo. Não nos esqueçamos de que Netuno está em conjunção com o planeta Terra, a regente esotérica de Sagitário, dando a entender que em dita oposição se oculta o segredo de compreender Sagitário.

De um ponto de vista mais exotérico-pessoal, é claro que Urano angular na casa 7, assim como a Lua com Plutão na casa 4 e o Sol conjunto a Saturno em oposição a Netuno na casa 12, fizeram de Mozart uma personalidade “peculiar”, mas não é função deste blog analisar tais peculiaridades; basta dizer, em relação a este aspecto mais exotérico, que o sextil quase exato de Júpiter com a conjunção Lua-Plutão na casa 4, a casa do nascimento ou raiz, é um claro reflexo de sua prolífica e prodigiosa capacidade técnica e criadora que demonstrou desde muito criança.

Um contato Lua Plutão ajudado por Júpiter e conectado à Alma, como é o caso, sempre é um dom natural para o impulso criativo informal, espontâneo, que parece vir do “nada”, mas que em verdade é a expressão da liberdade interna ou do desapego transformador que Plutão exerce sobre a Lua ou corpo de expressão.

Neste sentido, e entendendo que é um exagero cinematográfico, podemos bem pensar que a descrição que é feita do personagem no filme biográfico “Amadeus” (1984) do diretor Milos Formam, se a aplicamos apenas a seus anos de juventude, pode ser bastante acertada, entendida desde os caprichosos impulsos emocionais e tendências pessoais que o menino prodígio demonstrou, tal e como se fazia adolescente.






Psicologia do 4º Raio

Em relação à psicologia do 4º Raio, o Mestre Tibetano nos diz:

“Este raio é denominado "o raio da luta" porque nele as qualidades rajas (atividade) e tamas (inércia) estão. estranhamente, tão equilibradas, que a luta entre ambas quebranta a natureza do homem de quarto raio…”

“Tamas ou inércia, produz apego ao conforto e aos prazeres, detesta causar dor e chega até a covardia moral, à indolência, e a deixar as coisas como estão, a descansar e a não pensar no amanhã. Rajas ou atividade, é fogosa, impaciente e impulsiona sempre à ação. Estas forças opostas da natureza convertem a vida do homem de quarto raio em uma perpétua luta e desassossego; as fricções e as experiências assim adquiridas trazem uma rápida evolução…”

“No geral, o homem pertencente ao 4º Raio se expressa bem e tem senso de humor, mas, segundo sua disposição de ânimo, passará de uma conversa brilhante a um silêncio melancólico. É uma pessoa deliciosa e difícil de se conviver”.

Psicologia Esotérica 1



Esta raio também é chamado de Harmonia através do Conflito, porque como podemos ler, é um raio complexo e intenso, devido a que ele é o ponto do meio dos 7, o lugar onde se trava a batalha entre “a raiz e o céu”, o velho e o novo, tensão ou conflito que, após o triunfo, se expressa como beleza.

Esta intensidade, em uma Alma que deseje avançar espiritualmente, gera uma grande necessidade de serenidade, confiança e autocontrole para adquirir assim o equilíbrio entre as forças antagônicas da natureza.



O 4º Raio de Harmonia e Beleza se manifesta através de Touro como desejo pela forma e sua beleza; em Escorpião como o conflito transformador que se gera ao vivenciar o cumprimento (satisfatório ou não) de referido desejo; e em Sagitário como a unificação do poder do desejo através de uma mente focalizada em um objetivo capaz de ser ativamente expressado. Em verdade são Três em Um, sendo nesta tríade o desejo (com seus conflitos e oportunidades) a pedra angular para alcançar a expressão da Beleza ou Unidade.





familia Mozart


A Maturidade – Virgem – O Propósito da Alma

Sem lugar a dúvidas, no horóscopo de Wolfgang, as dificuldades assinaladas pela oposição Mercúrio – Netuno desde Leão sugerem sentimentos muito fortes, alteração da razão que, necessariamente, se refletiram negativamente em sua conjunção Lua/Plutão. Este forte desassossego, relacionado por sua vez com as já naturais tendências extremas e apaixonadas de sua Alma de 4º Raio, gerou na consciência de Mozart uma forte necessidade de adquirir estabilidade mental e autocontrole emocional.

É bem seguro que esta profunda necessidade foi o que levou Wolfgang, através da sabedoria do 2º Raio que Virgem trouxe, a se identificar plenamente com o pensamento e os métodos Maçônicos, abandonando assim pouco a pouco (nunca de todo) seus costumes mais mundanos.

Wolfgang Amadeus Mozart, dito pelo mesmo, foi um homem de costumes, ordenado e disciplinado, algo muito de Virgem:

“Às seis, sempre estou penteado. Às sete, completamente vestido. Em seguida, escrevo até as nove. Das nove até a uma, dou aula. Depois como, quando não estou convidado, e nesse caso o almoço é às suas ou às três. Não posso trabalhar antes das cinco ou das seis, e muitas vezes uma academia (concerto) me impede,​ caso contrário, escrevo até as nove da noite [...]. Devido às academias e à eventualidade de ser solicitado aqui ou ali, nunca tenho a certeza de poder compor pela tarde, de modo que tomei o costume (sobretudo quando volto cedo) de escrever algo antes de me deitar. Com frequência o faço até a uma, para me levantar de novo às seis”.

Wikipédia (texto escrito por Mozart)

Ele, graças à Virgem, soube estabelecer um ritmo (harmonia) em sua vida, algo muito necessário para as pessoas muito evoluídas, e isto com os anos lhe deu temperança, bondade, controle e uma visão interna (focalização mental) cada vez mais ajustada de seu destino ou propósito da Alma: a expressão (cada vez mais profunda) de beleza musical.


Virgem desde a Alma nos diz:

Eu sou a Mãe e o Filho. Eu, Deus, Matéria sou.



Em Virgem, através do 2º Raio, a consciência descobre a união do material (ou mãe) com o aspecto amor (Cristo) que nela reside oculto. O filho é nutrido pela mãe, que mais tarde se expressará através da matéria como Unidade ou Amor.

A Virgem é a purificação, a crivo como símbolo, o cuidado d’Aquele sagrado que vive no interior. A Lua ou mãe Matéria, velando Vulcano, o forjador, é sua regente. A construção (Vulcano) nas “cavidades internas” de, em, e através da matéria (Lua) de um novo ser ou consciência crística.

Psicologicamente falando do significado de Virgo no ascendente, lhe diz a consciência que para se aproximar do propósito da Alma, que sempre tem algo de “misterioso” a descobrir, se faz necessário aprofundar na atitude discriminadora, uma atitude que não necessariamente deve ser mental, mas que também pode ser uma discriminação empreendida pela própria Alma de forma instintiva “inconsciente”; uma atitude que construirá através da renúncia, persistência e disciplina, e suas limitações resultantes, uma nova consciência com seu consequente reflexo de expressão no externo.

Esta atitude, que a bem seguro Mozart praticou, levou o nosso protagonista a colocar, em seu correto lugar, a sua poderosa personalidade aquariana, para assim poder descobrir a real essência (impessoal) que sua magnífica conjunção Lua-Plutão ocultava em Sagitário.



A verdade do Sagitário de Wolfgang Amadeus Mozart

No horóscopo de Mozart, o 4º Raio de sua Alma só se expressa através de Sagitário, dando a entender que seu conflito-luta, não foi tanto vivenciar seus profundos desejos (Touro-Escorpião), como o fato de saber dirigi-los mentalmente, (Sagitário), para um bom objetivo: melhorar (multiplicar) seu grande talento musical, herdado de outras vidas2.

Podemos dizer que nas primeiras etapas, onde a ação corretora inspirada por Virgem era mais forte, a Lua estava velando o poder construtor de Vulcano, o forjador de uma nova consciência. Mas adiante, quando Mozart já se firmou melhor, ele pode ser mais sensível a Peixes desde a Alma, sendo então que a Lua em sua expressão velava um inspirado e sensível Urano regido por Plutão em Sagitário ou 4º Raio de Alma.

Paradoxalmente, a clássica atitude, discriminadora, sábia, casta, silenciosa, artesanal e construtora de Virgem (2º Raio) foi a qualidade que permitiu a Mozart descobrir a otimista, livre, exuberante (quase voluptuosa) e belíssima generosidade musical refletida em seu Sagitário-Plutão-Lua (4º Raio).

Desde a Alma, a Lua/Plutão de Wolfgang Amadeus Mozart se intui como a fonte, inspirada pelo objetivo do Arqueiro, de sua prodigiosa imaginação, exuberante, livre, criadora, visceral, alegre, luminosa e vital.



Graças por tua maravilhosa música, Wolfgang Amadeus Mozart, bem seguro que os Anjos ao expressá-la, desde o coração de Tua alma na mente, alcançam todos Eles uma maior dignidade.





1Recomendamos a leitura de 3 artigos que procuram, através do estudo de diversos horóscopos exemplo, demonstrar o reflexo do raio da Alma neles.

Artigos:
O 1º RAIO DE VONTADE E PODER NO HORÓSCOPO
O 2º Raio de Amor Sabedoria no Horóscopo
O 4º RAIO DE BELEZA E HARMONIA NO HORÓSCOPO

2 Observemos como a conjunção Lua/Plutão desde a casa 4, a casa mais vinculada aos dons herdados na nova reencarnação, está conectada com a linha de nodos (passado cármico) através de sua regência esotérica sobre a linha Ascendente Virgem – Descendente Peixes. Isto nos sugere uma reencarnação com certo alto nível já adquirido de conexão com a Alma. Somente assim se pode compreender que desde muito cedo em sua infância (4-5años) já fosse capaz de compor música de grande beleza e dificuldade técnica.





Mozart, o primeiro à direita, en sua Loja maçônica



Juan Sebastian Bach e Ludwig Van Beethoven

Este mesmo sentido relacionado com o reflexo no horóscopo do 4º Raio de Harmonia e Beleza podemos aplicar a outros dois grandes músicos da história da música clássica, Juan Sebastian Bach e Ludwig Van Beethoven.

No caso de Bach não dispomos do ascendente, mas o poder de seu Marte em Sagitário, em própria regência hierárquica, é evidente, assim como também o papel de Urano em Touro, como regente (esotérico e hierárquico) de sua valiosa oposição Júpiter/Libra – Sol/Áries. Mercúrio em queda tem a poderosa necessidade de ser Universal (impessoal e conectado à Alma) para assim superar seu mal estado astrológico.

No caso de Beethoven, do qual sim, se dispõe do ascendente, embora a fonte não seja muito confiável, (no caso de Mozart é 100%), estão muito ativados os 3 signos do 4º Raio, estando seu ascendente em Escorpião, Sol + Lua em Sagitário e Urano angular em Touro. Mercúrio, o protótipo do 4º Raio, em Sagitário, em oposição muito ajustada aplicativa a Marte, é o planeta mais tensionado e, portanto, o mais ativo da carta.

Bach, Mozart e Beethoven três almas de 4º Raio nascidos e influenciados fortemente pela Alma alemã também regida por um 4º Raio de Harmonia e Beleza.

David C.M  (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)

sábado, 20 de maio de 2017

As casas 1, 2 e 3












O significado esotérico da casas 1, 2 e 3 do horóscopo
Para a astrologia esotérica, as casas em si mesmas são uma limitação que deve ser transcendida através da qualidade ou luz que oferecem os 12 Signos com suas Três Cruzes, mas, mesmo assim, aceita-se sua existência e a oportunidade que oferecem, se se está orientado a uma vida superior.  Neste sentido, para a astrologia esotérica as casas têm um significado próprio que se esconde por trás dos efeitos exotéricos  relacionados com a astrologia tradicional.
Neste primeiro artigo, (a ele seguirão outros três), faremos uma análise analógico-comparativa entre o aspecto exotérico e o significado esotérico das três primeiras casas,  sem esquecer que, de seu aspecto mais psicológico-prático, referido significado só pode ser percebido por aquelas consciências que, por direito ou destino evolutivo, têm a necessidade de transcender as implicações mais materiais em favor das mais espirituais. São as “novas” consciências nascentes, e não a astrologia em si mesma que necessitam de uma astrologia renovada. Mesmo assim há que ter muito em conta que a astrologia esotérica NÃO anula a exotérica, antes, a inclui, enriquece, expande e matiza.
Todo horóscopo pode ser dividido em 4 quadrantes com suas três casas respectivas, sendo o primeiro, o que hoje vamos analisar, o quadrante que com mais firmeza nos fala  do “eu”.
Esotericamente falando, este primeiro quadrante é o mais subjetivo dos 4,  já que faz referência aos 3 aspectos primários do sujeito (“eu”): corpo mental, corpo astral e corpo vital ou etérico.




Casa 1
A casa 1 ou ascendente é a casa que marca o instante do nascimento, o Princípio que este traz consigo e, portanto, é a casa que faz mais referência ao “destino” do sujeito ("eu").
Nesta casa reside a mais poderosa afirmação do “eu”, um eu que, desde o aspecto mais materialista nos fala da aparência geral do corpo, sua saúde, a cabeça-cérebro, fortaleza e debilidade, temperamento, atividades e modos pessoais, e que, de seu aspecto mais espiritual, é a casa do surgimento do “Eu Superior”, a Alma de seu trono1 no cérebro/mente, com seu sentido do dharma, energia, qualidades, essência e propósito.
Como sabem, para a astrologia esotérica o significado do signo ascendente com seu correspondente reflexo mais material na casa 1 marca o propósito da Alma. Este signo é a qualidade que a consciência (desde a mente/vontade) deve aplicar em sua vida para melhor ajustar sua expressão pessoal de desejos, (mais vinculada ao signo solar ou linha de menor resistência), com o Amor que  a Alma traz consigo. Levar a bom termo este ajuste traz bem-aventurança, isto é,  saúde, tanto espiritual como física pessoal.
Marte, como regente arquetípico2 de casa 1, é a força que oferece o poder de acionar e experimentar o propósito material e espiritual subjacente nesta casa. Marte, regido pelo  6º Raio de Devoção e Ideal, é o que “luta” por aquele tipo de ideais (propósitos) que a Alma, ao reencarnar, decidiu viver, ativar e experimentar.

Casa 2
A casa 2 é o “lugar iluminado” pelo poder do “eu” proveniente da casa 1.  É o entorno imediato onde o eu se apropria de “aquilo” que, por estar iluminado por ele mesmo, lhe pertence, ou se assim não for, assim  o crê, gerando-se portanto o desejo de adquirir.
Exotericamente falando, nesta casa reside o desejo de adquirir experiência sensual, belos objetos, dinheiro, assim como também a possibilidade de bem empregá-los e/ou perdê-los. Do corpo físico nesta casa se situa a boca/garganta,  isto é, o lugar por onde se adquire o alimento.
Esotericamente, todo este desejo de adquirir experiência ou sustento material em  consciências evoluídas se reflete como aspiração ou desejo de sustento espiritual.  O propósito da Alma nesta casa tem o dom de iluminar o desejo material, lembrem-se de que desejo é energia, portanto nesta casa é onde a energia, através da Alma, pode ser adquirida, utilizada e enfocada como aspiração ou desejo espiritual; processo no qual a perda material é um reflexo exotérico da necessidade mais esotérica de adquirir desapego para alcançá-lo.
Nesta casa também está situada a voz, o som entendido como a substância3 gerada por aquilo mais abstrato proveniente da casa 1. Esotericamente não é “aquele que vocifera o que deseja” mas sim “aquele que se ouve o que É”.
Portanto, e fazendo referência à Luz de Touro,  esotericamente falando não se trata tanto de desejar a forma material, (iluminada pela luz externa e  vista através dos dois olhos),  como ser consciente, (através da luz interna percebida pelo terceiro olho), do importante que é para o caminho espiritual o desejo equilibrado e dirigido.
Observemos as sempre sugestivas palavras do Mestre Tibetano em relação ao papel que Vênus (5º Raio) exerce como regente arquetípico da casa 2:
Vênus, que outorga a mente - mais a alma já incorporada, estão relacionadas e ativas nesta casa (dois). A luz da matéria e a luz da alma estão implicadas no emprego da energia e no problema do que se deseja, ou o que se considera perdido e o objetivo alcançado. Portanto, é a casa dos valores espirituais ou materiais”.
Lembremos que a qualidade da aspiração, (ou anelo de maior consciência de Alma), depende sempre do tipo de valor que a motiva.

Casa 3
Se a casa 1, esotericamente falando, traz consigo o propósito da Alma, e a casa 2 o “anelo” espiritual que este gera, a casa 3, por lógica descendente, nos traz sua vitalidade expressiva no corpo etérico.
A casa 3 é uma casa mutável, disposta às mudanças, flexível e instável, que encontra estabilidade em sua casa complementar, a 9, a casa das grandes viagens, onde se estabelece uma direção e, portanto, uma estabilidade.
Exotericamente é a casa dos irmãos, as relações flexíveis entre vizinhos ou conhecidos, é o impulso espontâneo, a improvisação do artista, a rapidez mental, aprendizagem, conhecimento, viagens curtas, escritos, periodismo, internet…, no corpo é o pulmão, língua e movimentos de braços e mãos:  a comunicação. É a casa da coragem, entendida como a ação espontânea (valente) de  se comunicar com o ambiente.
Esotericamente falando, estas dinâmicas comunicativas são reflexo da importância que tem para a Alma ter, em seu próprio ambiente mais subjetivo que é a consciência, uma comunicação espontânea com seu reflexo inferior ou Personalidade.  Comunicar ou inter-acionar os “dois irmãos”, (material-espiritual), implicados em toda reencarnação é de vital importância para o crescimento da Consciência entendida como uma unidade, conhecimento, razão, compreensão, intuição.
 
Esta relação dual, que por Lei de Vida deve ser unificada, é levada a cabo por Mercúrio, (o regente arquetípico da casa 3), que através da Luz da Mente monta a união no corpo vital com seus 7 chacras. 
Nos livros de Alice Bailey se nos ensina que o “dom” de Mercúrio é regido  pelo 4º Raio de Harmonia no Conflito, e tem lógica que assim seja, porque o esforço de unificar o desejo pessoal com o amor da alma é um conflito que tende à harmonia. Não vamos esquecer que Deus, (a Unidade), rege o homem/humanidade através do “filho da mente”,  os processos mentais mercuriais criadores de conflito, reflexão, síntese ou intuição.  
Na frase, “a energia (ou corpo vital) segue o pensamento”, reside a essência de Mercúrio na casa 3.

Propósito, Consciência e Vitalidade são os três aspectos divinos do “Eu” que encontram síntese na casa 4, a casa onde se toma a forma que unifica os três através da Lua/Câncer com seus significados ou Raios regentes,  mas este é um tema a desenvolver para o próximo artigo, no qual refletiremos sobre as casas 4, 5 e 6.



Astrologia (interpretação do horóscopo)
Como já sabemos, todo planeta presente em uma casa realça muito muito a importância desta casa através dos próprios significados do planeta.
Façamos neste sentido um simples exercício astrológico com Saturno. Como sabemos, tradicionalmente este planeta é o regente dos impedimentos, das limitações, é o planeta cármico por excelência.
Esotericamente falando, e sem excluir seus poderes exotéricos, Saturno é um planeta de grande valor espiritual, porque suas poderosas limitações geram na consciência a REAL necessidade de parar, refletir, recapitular, disciplinar e assim melhor reajustar o caminho a seguir em relação aos propósitos da alma ou consciência superior. 
Podemos pensar, pois, que Saturno situado no quadrante que mais afirma o “eu” é uma clara limitação para este, mas que, ao mesmo tempo, se a consciência assim o perceber, é uma clara oportunidade para melhorar sua afirmação espiritual.




Saturno em as três primeiras casas
Se aprofundarmos um pouco mais e analisarmos Saturno em cada uma destas casas, (sobretudo se o planeta está só, mal acompanhado e/ou mal aspectado), podemos afirmar que:

Saturno na casa 1, (talvez esta seja a posição mais delicada da três, por ser uma casa angular), exotericamente nos fala de sérias dificuldades na autoafirmação e, portanto, uma grande insegurança e a consequente necessidade, para se defender, de  exercer um forte e quase enfermiço controle do entorno.
Esotericamente, referida dificuldade é a oportunidade de reconhecer melhor o propósito da Alma, graças a que a capacidade de controle bem entendida é compreensão e atenção ao superior. E também a que, a insegurança é a oportunidade de entender a dúvida como um atrativo para uma mente mais livre e criadora.

Saturno na casa 2 exotericamente nos fala de frustração em relação ao que desejamos adquirir, (dinheiro, posses, sensualidade ou prazer), mas, esotericamente referida dificuldade pode se tornar uma profunda necessidade de aplicar o desapego, para assim poder transmutar o desejo frustrado em renovado desejo de descobrir e adquirir valores mais conformes com o verdadeiro propósito do “eu” proveniente da casa 1.

Saturno na casa 3
, sobretudo se o planeta está só ou mal acompanhado e/ou mal aspectado, pode muito bem gerar má relação entre irmãos, comunicação deficiente, inter-ações difíceis ou falta de valor para se comunicar, mas, esotericamente, seu impedimento é a oportunidade para alcançar uma melhor relação    ou comunicação subjetiva (na consciência e seus processos mentais) entre o “eu” e o “não-eu”,  que posteriormente bem seguro se refletirá no corpo vital ou 7 chacras como uma inter-ação e comunicação mais acertadas com o ambiente mais prático-objetivo.

…..
1Para o pensamento esotérico, ao reencarnar  a Alma ou Ego tem seu trono no quinto plano, começando por baixo, dos sete planos de que consta a mente.  Visto de uma perspectiva mais física/cerebral, muitas escolas esotéricas relacionam a Alma com a glândula pineal situada no centro do cérebro.
2Con o conceito “arquetípico” fazemos referência à regência clássica que cada planeta mantém sobre uma casa,  independentemente do regente do signo que a ocupe.
3Para o pensamento esotérico a “substância” é resultado da mescla de espírito com matéria, uma mescla que cria o aspecto psíquico (mente/emoção) sensível, promotor de consciência, neste caso expresso como som ou voz.


David.C.M. (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

WESAK






FESTIVAL DE WESAK


“Como é em cima é embaixo, como é embaixo é em cima” reza o axioma oculto, e o Festival de Touro não é exceção. Quando falamos de Wesak estamos nos referindo a um evento de fundamental importância na vida da humanidade e sobretudo do planeta, porque fazemos referência ao contato entre três reinos: Shamballa, o centro onde a Vontade de Deus é conhecida; a Hierarquia espiritual, o reino das almas e a raça humana. Se tivermos em mente que a humanidade é a grande responsável por iluminar-se para abrir as portas da energia espiritual aos reinos animal, vegetal e mineral, compreenderemos que se trata de um momento de união com amplos efeitos espirituais para a evolução planetária interna.



Mas a vivência não se acaba ali: Wesak não é um evento abstrato ou meramente intelectual, nem apenas um relato interessante cheio de fórmulas complexas; é também uma realidade da consciência, uma fusão entre a mente e o coração. Vejamos algumas analogias que podem nos iluminar a respeito, sempre as considerando do grupal e com ênfase no subjetivo.



Sabemos pela literatura religiosa e esotérica que, em Wesak, a Hierarquia de Mestres integral e Seus colaboradores realizam um grande ato de invocação de energia espiritual, culminando com a chegada do Buda e uma bênção trazida dos planos superiores. A humanidade está representada pelos discípulos, e cada pessoa que leva uma vida espiritual é chamada a ocupar seu lugar. Trata-se de um grande ato de invocação, através do qual a Hierarquia facilita o contacto com a energia superior do Buda e produz uma síntese durante um breve instante, resultando em uma iluminação cujos efeitos internos se estendem durante largo tempo.



Existe uma chave psicológica para interpretar o anterior, isto é, como o contato entre a mente (humanidade), a alma (a Hierarquia) e a Mônada ou fogo espiritual (o Buda), e a analogia é tão somente um simples ato de meditação enfocado no coração a serviço das metas do eu superior, com o vale e a montanha indicando os distintos estados do ser.



Temos assim um elemento mental, a humanidade, que prepara a forma para a afluência da energia sutil trazida pelo Buda (representando Shamballa). A atividade mental, meta da atual quinta raça, reflete-se nos desenhos geométricos criados antes do contato, os quais constituem um linguagem simbólica profundamente carregada de significado.



A iluminação é antes de tudo um efeito mental, um estado de realização que surge da união entre a formalidade do intelecto e a intrepidez do coração. Em certo sentido é buscada conscientemente, mas de pouco servem a luta, o esforço e o intelecto se não forem acompanhados pelo amor de servir à Vida Una, e aí vemos a necessidade de que a Hierarquia assista a humanidade nesse contacto.



Desse modo, cada pequeno átomo da mente preparada para o contato com a luz é simbolizado pelos discípulos e iniciados que participam do ritual. E, tal como nem toda a mente é utilizada na meditação, nem toda a humanidade pode participar do Festival, salvo aqueles que se encontram preparados para ele.



O outro componente é naturalmente o coração e, como dizíamos antes, não é possível ascender mais além de um determinado estado da consciência se este não estiver envolvido na reflexão. O amor, a horizontalidade, a fraternidade, o princípio de partilha são as chaves do processo, porque expandem a mente e a conectam em toda sua integridade, ampliando assim a capacidade de serviço, e como graça a iluminação. A analogia é a presidência pela Hierarquia do ritual de fusão realizado pelos homens, simbolizando a alma que guia a personalidade para o superior, e provendo através do Cristo a palavra de poder que, no momento culminante da invocação, convoca o Buda.



Diz-se que o Buda é invocado graças à atração magnética criada pelo ritual, e isso nos fala da impossibilidade de atuar se não existir previamente uma consciência grupal, a qual marcará a medida da bênção. Novamente preparação, invocação, equilíbrio e evocação, mais a iluminação resultante.



Estamos então ante um grande ato de magia organizada planetária, como gostava de dizer Vicente Beltrán Anglada, com uma importância fundamental para os sete reinos (ou corpos individuais) porque envolve a mente humana consciente, o grande meio de contato entre o superior e o inferior neste período. A realização cíclica (uma vez por ano) nos sugere que se trata de um ato de reflexão sintética, que reúne o melhor de um pensamento meditado e o ofereça amorosamente ante o Buda para que este o inunde de luz. Como se vê, é a analogia em grande escala da formação de um pensamento, a meditação centrada no coração e na revelação da luz.



Sejamos então parte desses ciclos espirituais dos quais Wesak é hoje a máxima expressão, esses momentos em que a humanidade como um todo é chamada à reflexão e à vida interna. Que o silêncio do contato nos refresque em nossa essência, o fogo, e que nas proximidades da união compreendamos o significado da fraternidade e do destino comum de todo ser vivente, chaves da Era de Aquário que estamos compartilhando.








Martin Dieser