sábado, 20 de maio de 2017

As casas 1, 2 e 3












O significado esotérico da casas 1, 2 e 3 do horóscopo
Para a astrologia esotérica, as casas em si mesmas são uma limitação que deve ser transcendida através da qualidade ou luz que oferecem os 12 Signos com suas Três Cruzes, mas, mesmo assim, aceita-se sua existência e a oportunidade que oferecem, se se está orientado a uma vida superior.  Neste sentido, para a astrologia esotérica as casas têm um significado próprio que se esconde por trás dos efeitos exotéricos  relacionados com a astrologia tradicional.
Neste primeiro artigo, (a ele seguirão outros três), faremos uma análise analógico-comparativa entre o aspecto exotérico e o significado esotérico das três primeiras casas,  sem esquecer que, de seu aspecto mais psicológico-prático, referido significado só pode ser percebido por aquelas consciências que, por direito ou destino evolutivo, têm a necessidade de transcender as implicações mais materiais em favor das mais espirituais. São as “novas” consciências nascentes, e não a astrologia em si mesma que necessitam de uma astrologia renovada. Mesmo assim há que ter muito em conta que a astrologia esotérica NÃO anula a exotérica, antes, a inclui, enriquece, expande e matiza.
Todo horóscopo pode ser dividido em 4 quadrantes com suas três casas respectivas, sendo o primeiro, o que hoje vamos analisar, o quadrante que com mais firmeza nos fala  do “eu”.
Esotericamente falando, este primeiro quadrante é o mais subjetivo dos 4,  já que faz referência aos 3 aspectos primários do sujeito (“eu”): corpo mental, corpo astral e corpo vital ou etérico.




Casa 1
A casa 1 ou ascendente é a casa que marca o instante do nascimento, o Princípio que este traz consigo e, portanto, é a casa que faz mais referência ao “destino” do sujeito ("eu").
Nesta casa reside a mais poderosa afirmação do “eu”, um eu que, desde o aspecto mais materialista nos fala da aparência geral do corpo, sua saúde, a cabeça-cérebro, fortaleza e debilidade, temperamento, atividades e modos pessoais, e que, de seu aspecto mais espiritual, é a casa do surgimento do “Eu Superior”, a Alma de seu trono1 no cérebro/mente, com seu sentido do dharma, energia, qualidades, essência e propósito.
Como sabem, para a astrologia esotérica o significado do signo ascendente com seu correspondente reflexo mais material na casa 1 marca o propósito da Alma. Este signo é a qualidade que a consciência (desde a mente/vontade) deve aplicar em sua vida para melhor ajustar sua expressão pessoal de desejos, (mais vinculada ao signo solar ou linha de menor resistência), com o Amor que  a Alma traz consigo. Levar a bom termo este ajuste traz bem-aventurança, isto é,  saúde, tanto espiritual como física pessoal.
Marte, como regente arquetípico2 de casa 1, é a força que oferece o poder de acionar e experimentar o propósito material e espiritual subjacente nesta casa. Marte, regido pelo  6º Raio de Devoção e Ideal, é o que “luta” por aquele tipo de ideais (propósitos) que a Alma, ao reencarnar, decidiu viver, ativar e experimentar.

Casa 2
A casa 2 é o “lugar iluminado” pelo poder do “eu” proveniente da casa 1.  É o entorno imediato onde o eu se apropria de “aquilo” que, por estar iluminado por ele mesmo, lhe pertence, ou se assim não for, assim  o crê, gerando-se portanto o desejo de adquirir.
Exotericamente falando, nesta casa reside o desejo de adquirir experiência sensual, belos objetos, dinheiro, assim como também a possibilidade de bem empregá-los e/ou perdê-los. Do corpo físico nesta casa se situa a boca/garganta,  isto é, o lugar por onde se adquire o alimento.
Esotericamente, todo este desejo de adquirir experiência ou sustento material em  consciências evoluídas se reflete como aspiração ou desejo de sustento espiritual.  O propósito da Alma nesta casa tem o dom de iluminar o desejo material, lembrem-se de que desejo é energia, portanto nesta casa é onde a energia, através da Alma, pode ser adquirida, utilizada e enfocada como aspiração ou desejo espiritual; processo no qual a perda material é um reflexo exotérico da necessidade mais esotérica de adquirir desapego para alcançá-lo.
Nesta casa também está situada a voz, o som entendido como a substância3 gerada por aquilo mais abstrato proveniente da casa 1. Esotericamente não é “aquele que vocifera o que deseja” mas sim “aquele que se ouve o que É”.
Portanto, e fazendo referência à Luz de Touro,  esotericamente falando não se trata tanto de desejar a forma material, (iluminada pela luz externa e  vista através dos dois olhos),  como ser consciente, (através da luz interna percebida pelo terceiro olho), do importante que é para o caminho espiritual o desejo equilibrado e dirigido.
Observemos as sempre sugestivas palavras do Mestre Tibetano em relação ao papel que Vênus (5º Raio) exerce como regente arquetípico da casa 2:
Vênus, que outorga a mente - mais a alma já incorporada, estão relacionadas e ativas nesta casa (dois). A luz da matéria e a luz da alma estão implicadas no emprego da energia e no problema do que se deseja, ou o que se considera perdido e o objetivo alcançado. Portanto, é a casa dos valores espirituais ou materiais”.
Lembremos que a qualidade da aspiração, (ou anelo de maior consciência de Alma), depende sempre do tipo de valor que a motiva.

Casa 3
Se a casa 1, esotericamente falando, traz consigo o propósito da Alma, e a casa 2 o “anelo” espiritual que este gera, a casa 3, por lógica descendente, nos traz sua vitalidade expressiva no corpo etérico.
A casa 3 é uma casa mutável, disposta às mudanças, flexível e instável, que encontra estabilidade em sua casa complementar, a 9, a casa das grandes viagens, onde se estabelece uma direção e, portanto, uma estabilidade.
Exotericamente é a casa dos irmãos, as relações flexíveis entre vizinhos ou conhecidos, é o impulso espontâneo, a improvisação do artista, a rapidez mental, aprendizagem, conhecimento, viagens curtas, escritos, periodismo, internet…, no corpo é o pulmão, língua e movimentos de braços e mãos:  a comunicação. É a casa da coragem, entendida como a ação espontânea (valente) de  se comunicar com o ambiente.
Esotericamente falando, estas dinâmicas comunicativas são reflexo da importância que tem para a Alma ter, em seu próprio ambiente mais subjetivo que é a consciência, uma comunicação espontânea com seu reflexo inferior ou Personalidade.  Comunicar ou inter-acionar os “dois irmãos”, (material-espiritual), implicados em toda reencarnação é de vital importância para o crescimento da Consciência entendida como uma unidade, conhecimento, razão, compreensão, intuição.
 
Esta relação dual, que por Lei de Vida deve ser unificada, é levada a cabo por Mercúrio, (o regente arquetípico da casa 3), que através da Luz da Mente monta a união no corpo vital com seus 7 chacras. 
Nos livros de Alice Bailey se nos ensina que o “dom” de Mercúrio é regido  pelo 4º Raio de Harmonia no Conflito, e tem lógica que assim seja, porque o esforço de unificar o desejo pessoal com o amor da alma é um conflito que tende à harmonia. Não vamos esquecer que Deus, (a Unidade), rege o homem/humanidade através do “filho da mente”,  os processos mentais mercuriais criadores de conflito, reflexão, síntese ou intuição.  
Na frase, “a energia (ou corpo vital) segue o pensamento”, reside a essência de Mercúrio na casa 3.

Propósito, Consciência e Vitalidade são os três aspectos divinos do “Eu” que encontram síntese na casa 4, a casa onde se toma a forma que unifica os três através da Lua/Câncer com seus significados ou Raios regentes,  mas este é um tema a desenvolver para o próximo artigo, no qual refletiremos sobre as casas 4, 5 e 6.



Astrologia (interpretação do horóscopo)
Como já sabemos, todo planeta presente em uma casa realça muito muito a importância desta casa através dos próprios significados do planeta.
Façamos neste sentido um simples exercício astrológico com Saturno. Como sabemos, tradicionalmente este planeta é o regente dos impedimentos, das limitações, é o planeta cármico por excelência.
Esotericamente falando, e sem excluir seus poderes exotéricos, Saturno é um planeta de grande valor espiritual, porque suas poderosas limitações geram na consciência a REAL necessidade de parar, refletir, recapitular, disciplinar e assim melhor reajustar o caminho a seguir em relação aos propósitos da alma ou consciência superior. 
Podemos pensar, pois, que Saturno situado no quadrante que mais afirma o “eu” é uma clara limitação para este, mas que, ao mesmo tempo, se a consciência assim o perceber, é uma clara oportunidade para melhorar sua afirmação espiritual.




Saturno em as três primeiras casas
Se aprofundarmos um pouco mais e analisarmos Saturno em cada uma destas casas, (sobretudo se o planeta está só, mal acompanhado e/ou mal aspectado), podemos afirmar que:

Saturno na casa 1, (talvez esta seja a posição mais delicada da três, por ser uma casa angular), exotericamente nos fala de sérias dificuldades na autoafirmação e, portanto, uma grande insegurança e a consequente necessidade, para se defender, de  exercer um forte e quase enfermiço controle do entorno.
Esotericamente, referida dificuldade é a oportunidade de reconhecer melhor o propósito da Alma, graças a que a capacidade de controle bem entendida é compreensão e atenção ao superior. E também a que, a insegurança é a oportunidade de entender a dúvida como um atrativo para uma mente mais livre e criadora.

Saturno na casa 2 exotericamente nos fala de frustração em relação ao que desejamos adquirir, (dinheiro, posses, sensualidade ou prazer), mas, esotericamente referida dificuldade pode se tornar uma profunda necessidade de aplicar o desapego, para assim poder transmutar o desejo frustrado em renovado desejo de descobrir e adquirir valores mais conformes com o verdadeiro propósito do “eu” proveniente da casa 1.

Saturno na casa 3
, sobretudo se o planeta está só ou mal acompanhado e/ou mal aspectado, pode muito bem gerar má relação entre irmãos, comunicação deficiente, inter-ações difíceis ou falta de valor para se comunicar, mas, esotericamente, seu impedimento é a oportunidade para alcançar uma melhor relação    ou comunicação subjetiva (na consciência e seus processos mentais) entre o “eu” e o “não-eu”,  que posteriormente bem seguro se refletirá no corpo vital ou 7 chacras como uma inter-ação e comunicação mais acertadas com o ambiente mais prático-objetivo.

…..
1Para o pensamento esotérico, ao reencarnar  a Alma ou Ego tem seu trono no quinto plano, começando por baixo, dos sete planos de que consta a mente.  Visto de uma perspectiva mais física/cerebral, muitas escolas esotéricas relacionam a Alma com a glândula pineal situada no centro do cérebro.
2Con o conceito “arquetípico” fazemos referência à regência clássica que cada planeta mantém sobre uma casa,  independentemente do regente do signo que a ocupe.
3Para o pensamento esotérico a “substância” é resultado da mescla de espírito com matéria, uma mescla que cria o aspecto psíquico (mente/emoção) sensível, promotor de consciência, neste caso expresso como som ou voz.


David.C.M. (logos.astrologiaesoterica@gmail.com)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

WESAK






FESTIVAL DE WESAK


“Como é em cima é embaixo, como é embaixo é em cima” reza o axioma oculto, e o Festival de Touro não é exceção. Quando falamos de Wesak estamos nos referindo a um evento de fundamental importância na vida da humanidade e sobretudo do planeta, porque fazemos referência ao contato entre três reinos: Shamballa, o centro onde a Vontade de Deus é conhecida; a Hierarquia espiritual, o reino das almas e a raça humana. Se tivermos em mente que a humanidade é a grande responsável por iluminar-se para abrir as portas da energia espiritual aos reinos animal, vegetal e mineral, compreenderemos que se trata de um momento de união com amplos efeitos espirituais para a evolução planetária interna.



Mas a vivência não se acaba ali: Wesak não é um evento abstrato ou meramente intelectual, nem apenas um relato interessante cheio de fórmulas complexas; é também uma realidade da consciência, uma fusão entre a mente e o coração. Vejamos algumas analogias que podem nos iluminar a respeito, sempre as considerando do grupal e com ênfase no subjetivo.



Sabemos pela literatura religiosa e esotérica que, em Wesak, a Hierarquia de Mestres integral e Seus colaboradores realizam um grande ato de invocação de energia espiritual, culminando com a chegada do Buda e uma bênção trazida dos planos superiores. A humanidade está representada pelos discípulos, e cada pessoa que leva uma vida espiritual é chamada a ocupar seu lugar. Trata-se de um grande ato de invocação, através do qual a Hierarquia facilita o contacto com a energia superior do Buda e produz uma síntese durante um breve instante, resultando em uma iluminação cujos efeitos internos se estendem durante largo tempo.



Existe uma chave psicológica para interpretar o anterior, isto é, como o contato entre a mente (humanidade), a alma (a Hierarquia) e a Mônada ou fogo espiritual (o Buda), e a analogia é tão somente um simples ato de meditação enfocado no coração a serviço das metas do eu superior, com o vale e a montanha indicando os distintos estados do ser.



Temos assim um elemento mental, a humanidade, que prepara a forma para a afluência da energia sutil trazida pelo Buda (representando Shamballa). A atividade mental, meta da atual quinta raça, reflete-se nos desenhos geométricos criados antes do contato, os quais constituem um linguagem simbólica profundamente carregada de significado.



A iluminação é antes de tudo um efeito mental, um estado de realização que surge da união entre a formalidade do intelecto e a intrepidez do coração. Em certo sentido é buscada conscientemente, mas de pouco servem a luta, o esforço e o intelecto se não forem acompanhados pelo amor de servir à Vida Una, e aí vemos a necessidade de que a Hierarquia assista a humanidade nesse contacto.



Desse modo, cada pequeno átomo da mente preparada para o contato com a luz é simbolizado pelos discípulos e iniciados que participam do ritual. E, tal como nem toda a mente é utilizada na meditação, nem toda a humanidade pode participar do Festival, salvo aqueles que se encontram preparados para ele.



O outro componente é naturalmente o coração e, como dizíamos antes, não é possível ascender mais além de um determinado estado da consciência se este não estiver envolvido na reflexão. O amor, a horizontalidade, a fraternidade, o princípio de partilha são as chaves do processo, porque expandem a mente e a conectam em toda sua integridade, ampliando assim a capacidade de serviço, e como graça a iluminação. A analogia é a presidência pela Hierarquia do ritual de fusão realizado pelos homens, simbolizando a alma que guia a personalidade para o superior, e provendo através do Cristo a palavra de poder que, no momento culminante da invocação, convoca o Buda.



Diz-se que o Buda é invocado graças à atração magnética criada pelo ritual, e isso nos fala da impossibilidade de atuar se não existir previamente uma consciência grupal, a qual marcará a medida da bênção. Novamente preparação, invocação, equilíbrio e evocação, mais a iluminação resultante.



Estamos então ante um grande ato de magia organizada planetária, como gostava de dizer Vicente Beltrán Anglada, com uma importância fundamental para os sete reinos (ou corpos individuais) porque envolve a mente humana consciente, o grande meio de contato entre o superior e o inferior neste período. A realização cíclica (uma vez por ano) nos sugere que se trata de um ato de reflexão sintética, que reúne o melhor de um pensamento meditado e o ofereça amorosamente ante o Buda para que este o inunde de luz. Como se vê, é a analogia em grande escala da formação de um pensamento, a meditação centrada no coração e na revelação da luz.



Sejamos então parte desses ciclos espirituais dos quais Wesak é hoje a máxima expressão, esses momentos em que a humanidade como um todo é chamada à reflexão e à vida interna. Que o silêncio do contato nos refresque em nossa essência, o fogo, e que nas proximidades da união compreendamos o significado da fraternidade e do destino comum de todo ser vivente, chaves da Era de Aquário que estamos compartilhando.








Martin Dieser